Tráfico de animais: uma realidade pouco abordada, mas muito comum

A recente divulgação da notícia do estudante de medicina veterinária que mantinha ilegalmente uma cobra naja e foi picado pela serpente, trouxe luz a um assunto que nunca deveria sair de pauta: o tráfico de animais.

Certamente você já deve ter ouvido diversas vezes que o Brasil é um dos líderes em comércio ilegal de animais, mas sabia que estamos falando de um mercado capaz de movimentar aproximadamente 20 bilhões de dólares por ano? Pois, é, e a ONG nacional Renctas diz que o Brasil representa até 15% deste mercado clandestino, ou seja, um valor de aproximadamente US$ 1,5 bilhão ao ano. 

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Mais do que o valor milionário – que fica atrás somente do tráfico de drogas e armas – o tema merece a nossa atenção por algo que é impossível mensurar em reais ou dólares: a vida dos animais. Lembrando que o tráfico é considerado quando o animal é retirado do seu habitat para ser comercializado.

Claro que boa parte do problema está presente naquela máxima comum a qualquer mercado clandestino “ há alguém para vender, pois há alguém interessado em comprar”. E no mercado nacional as aves são as que mais sofrem, pois são as mais visadas para comercialização e criação proibida.

O Ibama aponta que mais de 80% dos bichinhos vendidos ilegalmente no Brasil sejam aves, que são procuradas para as mais diferentes finalidades: serem criadas em cativeiro, comercialização das penas ou plumas, venda ilegal da ninhada, entre outros. Quanto mais próxima da extinção a ave estiver, mais valiosa ela será no mercado paralelo.

A falta de fiscalização e de leis mais duras acabam deixando os bandidos mais à vontade, então eles não se limitam apenas à busca de animais voadores e de penas vistosas. Uma infinidade de animais de diferentes espécies acaba pagando o preço pela ganância do homem, que não comercializa apenas animais vivos. 

Cobras, onças e jacarés, por exemplo, são mortos para servirem de fonte de renda, já que o couro ou a pele desses animais acabam sempre despertando o interesse de alguém disposto a desembolsar um dinheiro para, entre outras coisas, transformar um pedaço do animal em algum acessório ou artigo de moda.

90% dos animais silvestres morrem quando são retirados de seu habitat

Os números por si sós demonstram a gravidade do assunto e o quanto ainda precisamos evoluir. Segundo a Renctas, aproximadamente 38 milhões de animais são retirados de seus habitats anualmente, sendo cerca de 12 milhões de espécies distintas. Quase a totalidade desses animais – cerca de 90% – são comercializados dentro do próprio País.

Mas, infelizmente, esse número absurdo não está sozinho. Dados do Ibama revelam que  aproximadamente 90% dos animais silvestres morrem logo depois que são retirados da natureza. 

Isso acontece porque após serem capturados, os bichinhos são vítimas de práticas criminosas, que visam facilitar o transporte desses animais. Para se ter uma ideia do nível de maus-tratos, as cobras são colocadas em meias de nylon, enquanto os papagaios são sedados para serem escondidos em tubos de PVC no fundo de malas.

Nunca é demais lembrar que além de colocar a vida dos animais em risco, o tráfico contribui bastante para o desequilíbrio ecológico, pois reduz a biodiversidade ambiental. Além disso, o manejo de animais silvestres impacta a nossa própria saúde, já que influencia no surgimento de novas doenças.

Por isso, denuncie qualquer atitude ilícita que envolva animais. Você pode acionar a Polícia Militar (190) ou fazer a denúncia pela Linha Verde do Ibama (0800-618080).

Sobre o autor

Anderson Mafra

Anderson Mafra

Jornalista apaixonado por animais, comunicação, música e não perde um concurso cultural (na verdade já perdeu vários). Curioso de mão cheia, quer saber sempre mais e compartilhar conteúdo, dicas e curiosidades do mundo pet. É um petlover assumido, sem chance de reabilitação.

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