Transplante de Órgãos em Animais

O número de transplantes de órgãos, tanto em humanos quanto em animais, vem crescendo bastante. Isso ocorre graças à descoberta de novas técnicas e desenvolvimento de pesquisas que melhorem as condições e a segurança da imunossupressão (parte fundamental para um resultado satisfatório nesse procedimento). No entanto, complicações como infecção recorrente, neoplasia, toxicidade dos imunossupressores ou rejeição crônica ao novo órgão ainda ocorrem e novas alternativas precisam ser pesquisadas para evitar esses problemas.

Na prática, o transplante tem como objetivo preencher falhas ou melhorar um déficit funcional do organismo do indivíduo. A não ser que doador e receptor sejam geneticamente idênticos, os antígenos do enxerto são capazes de provocar resposta imunológica, desencadeando a rejeição do órgão. Pode ocorrer o estimulo a diversos mecanismos de imunidade celular e humoral, específicos e não-específicos, que resultarão em uma rejeição. Os principais responsáveis por ela são os linfócitos T. Assim, o desenvolvimento de novas drogas imunomoduladoras  se faz extremamente necessário.

Transplante de órgãos em animais - Petlove - O Maior Petshop Online do Brasil

Transplante de Órgãos em Animais. Todos os direitos reservados a Augenblicke der Natur (imagem)

Tanto indivíduos vivos, quanto os com morte cerebral, são utilizados como doadores nas cirurgias de transplantes. Os vivos só são utilizados quando o organismo do animalzinho puder repor o material retirado, como o sangue, medula óssea e fragmento de órgão, ou ainda, quando se tratar de órgãos pares. A rejeição pode ser evitada pela seleção do doador, baseada na histocompatibilidade e com o uso de imunossupressores eficientes. Pode-se optar pela imunossupressão inespecífica, ou pela imunossupressão específica. A primeira se baseia em procedimentos físicos, utilização de anti-inflamatórios esteroidais e drogas citotóxicas, visando inibir a divisão celular de um modo inespecífico, reduzindo as respostas de células sensíveis a antígenos. Já a específica, é dirigida ao bloqueio seletivo e reversível da atividade do sistema imune, principalmente das células T.

Embora não seja uma técnica frequentemente utilizada na medicina veterinária, já há diversos relatos de sucesso. Em setembro de 2004, a cadelinha Cacau, da raça Teckel, com cinco anos de idade, que apresentava problemas de cálculos renais bilaterais com hidronefrose e perda da função total dos rins, foi submetida a um transplante. O bom estado geral do animalzinho, o grau de parentesco do doador e a boa estrutura da clínica colaboraram para o sucesso do procedimento. Foi o primeiro transplante renal canino, com resultado positivo, feito no Brasil.

Estudos como o de alo-transplante de bexiga em cães, transplantes cardíacos, entre outros, continuam sendo estudados e pesquisados. Há resultados positivos surpreendentes, como o transplante de órgãos de porcos transgênicos para babuínos. Porém, estudos e desenvolvimento de novas técnicas ainda se fazem necessários, para que o número de animais submetidos a elas, com resultados satisfatórios, venha a aumentar.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

2 Comentários

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.