Olho do cachorro lacrimejando: causas e tratamentos
O olho do cachorro lacrimejando pode ter causas que vão de alergias a glaucoma. Veja os sinais de alerta, o que fazer em casa e quando procurar o médico-veterinário.
Olhar para o seu cão e ver aquele olhinho molhado pode gerar uma preocupação enorme. Mas diferente do que muita gente imagina, o olho do cachorro lacrimejando não tem nada a ver com emoção. Na maioria das vezes, é o organismo reagindo a algo, seja uma irritação simples ou uma condição que precisa de cuidado médico-veterinário.
Entender a diferença entre um lacrimejamento passageiro e um sintoma que requer atenção veterinária é o que vai ajudar você a agir da forma certa. Por isso, vamos falar sobre as principais causas, os sinais de alerta e o que fazer em cada situação.

O que significa quando o cachorro está com os olhos lacrimejando?
As lágrimas têm um papel protetor importante: lubrificam os olhos, removem partículas e ajudam a barrar microrganismos. Um leve umedecimento após um passeio com vento forte ou contato com poeira, por exemplo, costuma ser uma resposta natural e tende a passar sozinha em poucas horas.
O ponto de atenção aparece quando o cachorro com olho lacrimejando apresenta secreção em excesso, com coloração diferente do habitual, mau cheiro ou muita remela. Esses são sinais de que algo vai além do esperado.
Olhar para a frequência, o volume e os sintomas que acompanham o lacrimejamento ajuda muito a identificar o que está acontecendo. Se o olho do seu pet continua molhado ao longo do dia, com vermelhidão ou coceira constante, é hora de buscar um médico-veterinário.
Principais causas do olho do cachorro lacrimejando
Vários fatores diferentes podem fazer os olhos do cachorro ficarem lacrimejando de forma excessiva. Confira os mais comuns:
Alergias
Os cães podem desenvolver sensibilidade a substâncias presentes no ambiente, como poeira, ácaro, pólen e fumaça. Quando entram em contato com esses agentes, os olhos reagem com lacrimejamento, vermelhidão e coceira.
O processo é parecido com o que acontece nos humanos alérgicos, mas o diagnóstico precisa ser feito por um médico-veterinário.
Conjuntivite canina
A conjuntivite canina é uma inflamação na conjuntiva, a membrana que reveste a parte interna das pálpebras e a parte branca dos olhos. Pode ser causada por vírus, bactérias ou agentes alérgicos.
Os sinais mais frequentes são vermelhidão, secreção (que pode ser aquosa ou espessa) e desconforto visível. Um ponto importante: a conjuntivite bacteriana pode ser transmitida para outros pets da casa, então não adie a consulta veterinária.
Corpo estranho no olho
Um fio de pelo, areia ou uma sementinha podem entrar no olho do cachorro e provocar irritação imediata. O pet costuma tentar coçar a região com a pata ou esfregar o focinho em tapetes e sofás. Se o corpo estranho não for removido de forma adequada, a irritação pode evoluir para uma úlcera de córnea, condição mais séria e dolorosa.
Obstrução do ducto lacrimal
O ducto lacrimal é o canal responsável por drenar as lágrimas para dentro do nariz. Quando fica bloqueado, as lágrimas transbordam pelo canto do olho e molham continuamente o pelo ao redor, podendo até manchar a pelagem.
Esse problema é mais frequente em raças de focinho curto (braquicefálicas), como Pug, Shih Tzu e Buldogue, por conta de uma anatomia que dificulta naturalmente a drenagem lacrimal.
Úlcera de córnea
A córnea é a camada mais externa do olho. Qualquer lesão nessa estrutura é chamada de úlcera de córnea, e trata-se de uma condição bastante dolorosa. O cão com úlcera costuma piscar excessivamente (o que os médicos-veterinários chamam de blefaroespasmo), deixar o olho semifechado e apresentar secreção.
Raças braquicefálicas são as mais propensas a essa condição, justamente por terem os olhos mais proeminentes e expostos ao ambiente.
Glaucoma
O glaucoma acontece quando a pressão dentro do globo ocular aumenta de forma anormal. O resultado é um olho visivelmente vermelho, inchado e dolorido. É uma emergência veterinária: sem tratamento rápido, o glaucoma pode causar perda permanente de visão.
Catarata e uveíte
A catarata é a perda progressiva de transparência do cristalino, estrutura que focaliza a luz dentro do olho. Pode aparecer com o envelhecimento ou por predisposição genética e, em alguns casos, provoca lacrimejamento, além de comprometer a visão ao longo do tempo.
Já a uveíte é uma inflamação nas estruturas internas do olho, geralmente ligada a outras doenças do organismo. Ambas precisam de diagnóstico e acompanhamento veterinário contínuo.
Doenças sistêmicas
Algumas infecções que afetam o organismo como um todo, como cinomose e leishmaniose, também podem se manifestar nos olhos, provocando lacrimejamento, secreção e outras alterações oculares.

O que a cor da secreção pode indicar
A aparência do que sai do olho do seu cachorro oferece pistas valiosas. Confira o que cada variação pode sugerir:
| Cor da secreção | O que pode indicar |
| Transparente e aquosa | Alergia, irritação leve ou obstrução do ducto lacrimal |
| Branca ou acinzentada | Olho seco (ceratoconjuntivite seca) |
| Amarelada ou esverdeada | Infecção bacteriana, requer avaliação com urgência |
| Avermelhada (manchando o pelo) | Oxidação das lágrimas ao ar; mais comum em cães de pelo claro |
Vale reforçar: essas referências são orientações gerais. Somente o médico-veterinário pode fechar um diagnóstico após exame clínico.
Raças mais propensas a problemas oculares
Qualquer cão pode ficar com os olhos lacrimejando, mas alguns têm predisposição maior por características físicas. As raças que merecem atenção redobrada são:
- Pug: olhos proeminentes e focinho curto facilitam irritações, úlceras e obstrução do ducto lacrimal;
- Shih Tzu: olhos grandes e pelos longos ao redor da face aumentam o risco de irritações frequentes;
- Lhasa Apso: acúmulo de pelos na região ocular pode causar irritação constante;
- Buldogue Inglês e Francês: predispostos a pálpebra invertida (entrópio) e ao olho seco;
- Chihuahua, Boxer e Boston Terrier: têm anatomia ocular que favorece a exposição dos olhos;
- Yorkshire Terrier e Poodle: podem apresentar lacrimejamento excessivo e catarata precoce;
- Cocker Spaniel: predisposto a glaucoma e catarata hereditária.
Os cães de focinho curto, os chamados braquicefálicos, são os mais vulneráveis. O ducto lacrimal costuma ser mais curto nessas raças, o que dificulta a drenagem natural das lágrimas e favorece o acúmulo de secreção.
Ter um cão dessas raças não significa que ele vai necessariamente ter problemas oculares. Mas vale observar com mais atenção e manter as consultas de rotina em dia.
Sinais de alerta que pedem avaliação imediata
Nem todo cachorro com olhos lacrimejando está com algo grave. Porém, alguns sinais indicam que a consulta veterinária não pode esperar:
- Secreção amarelada, esverdeada ou com mau cheiro;
- Olho muito vermelho, inchado ou visivelmente maior que o outro;
- O pet coçando o olho o tempo todo ou esfregando o focinho em superfícies;
- Dificuldade para abrir o olho ou piscadas contínuas;
- Sensibilidade intensa à luz;
- Mudança de comportamento, como ficar mais quieto, irritado ou com apetite reduzido.
Se o globo ocular estiver opaco, com coloração diferente ou visualmente alterado, o caso é urgente. Dependendo da causa, a visão pode ser comprometida rapidamente.
O que fazer enquanto aguarda a consulta
Se você percebeu que o olho do cachorro está lacrimejando demais, algumas atitudes ajudam a aliviar o desconforto do pet até o atendimento veterinário:
- Não esfregue o olho, pois isso pode piorar uma possível inflamação ou lesão;
- Se o pet não parar de coçar, um colar elizabetano ajuda a evitar que ele agrave o problema;
- Nunca use colírios humanos nem medicamentos sem prescrição veterinária, mesmo que pareça algo simples;
- Anote quando os sintomas começaram e se há outros sinais associados para relatar ao médico-veterinário.
Como é o diagnóstico e tratamento do problema ocular no pet
Para identificar o que está causando as lágrimas em excesso no cão, o médico-veterinário realiza um exame ocular completo. Dependendo do caso, pode incluir:
- Exame visual da secreção e do globo ocular;
- Tonometria, que mede a pressão interna do olho e é fundamental para detectar glaucoma;
- Teste de produção lacrimal, para identificar olho seco;
- Aplicação de colírio com corante fluorescente para visualizar possíveis úlceras na córnea.
O tratamento varia conforme o diagnóstico. Pode ir desde colírios anti-inflamatórios ou antibióticos até cirurgias corretivas em casos de pálpebra invertida ou obstrução do ducto lacrimal. Em condições crônicas, como glaucoma ou catarata avançada, o acompanhamento contínuo com um oftalmologista veterinário faz toda a diferença.

Como prevenir problemas oculares no seu cão
Nem todo problema ocular tem como ser evitado, mas alguns cuidados simples ajudam a proteger os olhos do seu cachorro no dia a dia:
- Limpe os olhos regularmente com gaze e soro fisiológico (quando houver orientação ou necessidade de higiene), especialmente nas raças com maior predisposição;
- Tome cuidado durante o banho para que shampoo não entre nos olhos do cão;
- Apare o pelo ao redor dos olhos, principalmente em raças com pelagem longa na face;
- Evite passeios em dias de muito vento ou em locais com fumaça intensa;
- Jamais use colírios ou remédios humanos no seu pet;
- Mantenha o ambiente doméstico limpo para reduzir a presença de ácaro e poeira;
- Não adie as consultas de rotina, pois o olhar profissional identifica alterações que o tutor pode não perceber.
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Perguntas frequentes
O cachorro com olho lacrimejando pode ser algo passageiro?
Sim. Um lacrimejamento leve e pontual pode ser causado por vento, poeira ou uma irritação simples, e costuma melhorar em poucas horas sem nenhuma intervenção. Se o lacrimejamento persistir, aumentar ou vier acompanhado de outros sintomas, o ideal é buscar orientação veterinária.
Posso limpar o olho do cachorro com soro fisiológico?
Sim, o soro fisiológico pode ser usado para higienizar a região ao redor dos olhos. Umedeça uma gaze e limpe com delicadeza por fora, sem encostar no globo ocular. Essa higienização não substitui, porém, o tratamento veterinário quando há uma causa clínica por trás do sintoma.
Posso usar colírio humano no meu cachorro?
Não. Colírios formulados para humanos têm composições diferentes e podem piorar o quadro ocular do cão. Aguarde sempre a prescrição do médico-veterinário antes de aplicar qualquer produto nos olhos do pet.
Cachorro com olho vermelho e lacrimejando é grave?
Depende do contexto. Uma vermelhidão leve pode ser de uma irritação passageira. Mas se o olho estiver muito vermelho, inchado, com secreção espessa ou se o cão demonstrar dor, é necessário ir ao veterinário com urgência. Pode ser glaucoma, conjuntivite bacteriana ou úlcera de córnea, condições que precisam de tratamento rápido.
Raças de focinho curto realmente têm mais problemas oculares?
Sim. Raças braquicefálicas, como Pug, Buldogue e Shih Tzu, têm os olhos mais expostos e o ducto lacrimal mais curto, o que as torna mais vulneráveis a irritações, obstruções e lesões. Por isso, merecem cuidados oculares mais frequentes e visitas regulares ao veterinário.
Cachorro com olho lacrimejando pode ter conjuntivite?
Sim. A conjuntivite canina causa lacrimejamento, vermelhidão e secreção, e pode ser transmitida para outros pets da casa. O diagnóstico e o tratamento precisam ser feitos pelo médico-veterinário, que vai identificar a causa (viral, bacteriana ou alérgica) e indicar o colírio adequado.
O cachorro com olhos lacrimejando pode perder a visão?
Em alguns casos, sim. Condições como glaucoma e úlcera de córnea grave, quando não tratadas a tempo, podem levar à perda parcial ou total da visão. Quanto mais rápido o diagnóstico, maiores as chances de preservar a saúde ocular do pet.




