Cadeiras de rodas para pets dá esperança para aqueles com dificuldade de locomoção

A legião de interessados no bem-estar animal não para de crescer e exemplos inspiradores não faltam. Uma dessas histórias que enchem nosso coração de alegria vem lá de Goiânia (GO), onde mora o João Lúcio, que fabrica cadeiras de rodas para pets com deficiência – o “Tô de Rodas”.

“Sempre gostei muito de animal e também queria ajudar em alguma causa social”, diz João, que começou a produzir cadeiras de rodas com canos PVC, em 2017, ajudando o amigo André Gondim no projeto Reciclando Patas. De lá pra cá, os dois já produziram e doaram mais de 800 cadeiras e ainda têm uma lista de espera no aguardo da tão esperada cadeirinha.


O trabalho voluntário foi apaixonante para João que, há nove meses, abriu mão do emprego como representante comercial para adotar a nova atividade como profissão. Ele notou que as cadeiras à venda são muito caras e não são personalizadas para cada animal, por isso decidiu comercializar cadeiras e andadores em alumínio – ideais, principalmente, para os animais de grande porte -, por um valor abaixo do mercado. “O grande diferencial do meu trabalho é que ele é focado na solução do pet, a grande maioria das empresas hoje vendem cadeiras reguláveis”.

Os preços variam de R$ 180 até R$ 400 para as cadeiras de rodas e podem chegar a R$ 700 para os andadores, que necessitam do dobro de material. João comenta que os andadores geralmente atendem os cães maiores como: Labrador, Rottweiler e Golden Retriever, que passam por quimioterapia ou outras doenças que causam fraqueza, e também pets com idade avançada. Nesses casos, o andador sustenta o peso do corpo para que o animal coloque as patas no chão e consiga andar. 

“As curvas do alumínio são feitas na marreta, é tudo exclusivo mesmo”

João divide seu tempo entre o Tô de Rodas e o Reciclando Patas e não para nem aos finais de semana. Cada pet atendido recebe atendimento único, mesmo que esteja em outro estado. Ele conversa com os tutores para entender o atual estado de saúde dos bichinhos, o motivo da deficiência, pede fotos, vídeos, medidas e tudo o que for necessário para planejar o trabalho, além disso, conta com suporte de médicos veterinários para atender da melhor forma cães e gatos. 

Depois da análise minuciosa é hora de ir para a bancada separar o material, marretar, parafusar, medir, furar… Se a cadeira for para um pet de porte pequeno demora um dia para ficar pronta; cerca de dois dias para os de grande porte e entre três a quatro dias para os casos muito específicos ou para andadores. 

Seja na cadeira de rodas ou no andador, a adaptação geralmente é rápida. Os cães quase que instantaneamente já começam a andar,  já os gatos, por serem mais ariscos, podem estranhar um pouco no começo, mas não demoram muito para agirem com mais autonomia.

João diz encontrou sua profissão e que sua melhor recompensa é a felicidade dos pais e seus pets. Ele também faz uma reflexão sobre como ainda há muito o que aprendermos com os exemplos com os filhos de quatro patas. “Quando você coloca o animal na cadeirinha, o bichinho levanta a cabeça e sai correndo. Normalmente quando o ser humano recebe a cadeira de rodas ele fica triste e pensa nunca mais eu vou prestar, nunca mais vou trabalhar”.

Sobre o autor

Anderson Mafra

Anderson Mafra

É jornalista apaixonado por animais, comunicação, música e não perde um concurso cultural (na verdade já perdeu vários). Curioso de mão cheia quer saber sempre mais e compartilhar conteúdo, dicas e curiosidades do mundo pet. É um petlover assumido, sem chance de reabilitação.

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