Como Funciona o Treinamento dos Cães-guia

A utilização de cães para a condução de deficientes visuais teve início na década de 1920 nos Estados Unidos e somente 30 anos depois chegou no Brasil. Hoje, estima-se que existam no país cerca de 200 cães-guias. As raças mais recomendadas para ser guia de deficientes visuais são: pastor alemão, labrador ou golden retriever. Conforme a legislação, esses animaizinhos têm acesso irrestrito a todos os lugares frequentados por seus donos, como restaurantes, empresas públicas, estações do metrô e até aviões, agindo literalmente como os olhos dessas pessoas.

Os cães trazem diversos benefícios à vida das pessoas com deficiência visual, pois possibilitam que elas tenham maior independência e façam coisas que sem os bichinhos não seria possível, como exemplo, desviar de um obstáculo e atravessar a rua sem ajuda de outra pessoa. No entanto, ter um desse não é tão fácil, pois o processo de treinamento é minucioso e como são necessárias características específicas, nem todo animal pode ser treinado.

O treinamento geralmente é feito em três fases. Na primeira, seleciona-se o cão mais calmo e dócil da ninhada para que seja adotado por uma família de acolhimento, que lhe dará um treinamento básico de obediência e de sociabilização. Nessa fase, o filhotinho aprende coisas simples como deitar, ficar parado, usar coleiras, sentar, frequentar locais públicos, andar de carro e ônibus e ir a restaurantes. Essa família faz um trabalho voluntário e cuida do animal até que ele complete um ano e meio de idade, que é quando ele volta ao canil para receber um adestramento específico.

A segunda fase leva cerca de seis meses. O treinamento é feito quatro vezes por semana, duas vezes ao dia. Durante esse treinamento, o cão-guia precisa da característica fundamental que é ser paciente, pois ser forem medrosos ou agressivos, infelizmente não servem para a função.

Já na terceira e última fase, ocorre o período de instrução no qual o cachorro escolhe o seu futuro dono. Antes da doação final, o cão e o seu futuro dono passam por um período de adaptação no qual precisarão formar uma parceria. São considerados vários fatores para a formação da dupla, tais como a habilidade global para controlar o cachorro e as condições e o tipo de moradia que ambos terão no seu dia a dia. Como cachorros e pessoas têm temperamentos diferentes, todas as diferenças são levadas em conta em cada uma das fases de treinamento.

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Bruno Oliveira

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