OK!
> Bem-estar > Saúde > O que é a doença periodontal em cães, sintomas e tratamentos

O que é a doença periodontal em cães, sintomas e tratamentos

Entenda os motivos pelos quais a doença periodontal afeta grande parte dos cães, quais os sinais de alerta e o que fazer para prevenir e tratar a tempo.

Por Amanda Fernandes -

Em alguns casos, a saúde bucal dos pets acaba ficando em segundo plano na rotina de cuidados, dando brecha para a doença periodontal em cães, uma enfermidade bem comum, mas perigosa caso negligenciada.

Pesquisas indicam que cerca de 80% dos cães com mais de dois anos já apresentam algum grau dessa condição, e a maioria dos tutores acaba não percebendo os primeiros sinais. 

Acontece que o problema não é apenas na boca. Quando não tratada, a doença pode comprometer órgãos vitais como coração, rins e fígado. Por isso, entender o que acontece desde o início, identificar os sintomas e saber quando agir faz toda a diferença para a saúde e a qualidade de vida do seu bichinho.

Cachorro com doença periodontal

O que é doença periodontal em cães

De forma simples: a doença periodontal é uma inflamação que ataca tudo o que segura os dentes na boca do cachorro. Isso inclui a gengiva, o osso e os tecidos de sustentação ao redor de cada dente. Quando essa inflamação avança, o dente vai perdendo apoio até cair.

E tudo começa com algo que parece inofensivo: a placa bacteriana. Depois de cada refeição, bactérias se acumulam naturalmente sobre os dentes do pet. Sem escovação, essa camada endurece e vira o tártaro, aquela crosta amarelada ou amarronzada que você às vezes pode ver nos dentinhos do cão.

O contato do tártaro com a gengiva provoca inflamação. Primeiro surge a gengivite, que é o estágio inicial e ainda reversível. Se não for tratada, a inflamação vai fundo e começa a destruir os tecidos que sustentam os dentes. Aí já é periodontite, que não tem volta.

Segundo a Associação Brasileira de Odontologia Veterinária (ABOV), a doença periodontal é a condição de saúde mais comum em cães, acima de qualquer outra doença. E, infelizmente, ela costuma ser diagnosticada tarde, justamente por evoluir de forma silenciosa.

Por que tantos cães têm a doença periodontal?

O motivo pelo qual tantos cachorros têm a doença periodontal é que infelizmente a higiene bucal dos pets ainda é pouco praticada. A escovação dos dentes do cão não é um hábito tão comum quanto deveria ser, e sem ela, a placa bacteriana se acumula todos os dias, sem parar.

Além disso, outros fatores também pesam. A dieta influencia bastante: alimentos úmidos ou pastosos, por não precisarem de muita mastigação, favorecem o acúmulo de resíduos nos dentes. E a idade conta muito, porque quanto mais o cão envelhece, maior o acúmulo ao longo dos anos e menor a resistência do organismo.

Raças mais predispostas

Alguns cachorros têm mais chances de desenvolver a doença periodontal por conta do formato da boca. Cães de porte pequeno e os chamados braquicefálicos (de focinho achatado) costumam ter os dentes mais juntos e com menos espaço entre eles, o que dificulta tanto a limpeza natural quanto a escovação.

Entre as raças com maior predisposição estão Yorkshire Terrier, Poodle, Shih Tzu, Lhasa Apso, Chihuahua, Pinscher, Lulu da Pomerânia, Pug e Bulldog Francês.

Se o seu pet se encaixa nesse perfil, a atenção com a higiene bucal precisa ser ainda mais constante.

Os 4 estágios da doença periodontal

A doença periodontal evolui em quatro estágios bem definidos. Entender cada um deles ajuda o tutor a identificar em qual ponto o pet se encontra e agir com mais agilidade.

Estágio Nome O que acontece Reversível?
1 Gengivite Gengiva avermelhada e levemente inchada. O tártaro não é visível a olho nu. Sim
2 Periodontite inicial Tártaro visível, mau hálito, início de separação entre gengiva e dente. Perda leve de osso detectável em radiografia. Não, mas controlável
3 Periodontite moderada Sangramento fácil, dor ao mastigar, lesões mais evidentes nos dentes e no osso. Alguns dentes podem precisar ser removidos. Não
4 Periodontite avançada Perda severa de dentes e osso, dor intensa, risco de infecções em outros órgãos pela disseminação de bactérias. Não

O estágio 1 é o único em que a doença pode ser completamente revertida com tratamento. A partir do estágio 2, o objetivo passa a ser interromper a progressão e controlar os danos. Daí a importância de agir cedo.

Sintomas de doença periodontal em cães

Reconhecer os sinais cedo pode evitar tratamentos mais complexos e muito desconforto para o pet. Confira sobre cada fase:

Sinais iniciais

O primeiro sinal costuma ser o mais fácil de perceber: o mau hálito do cachorro. Aquele cheiro forte que vem da boca do pet não é normal, mesmo que muita gente ache que é. Quando o tártaro se acumula e as bactérias se multiplicam, elas liberam gases que causam esse odor ruim. 

Outros sinais iniciais que merecem atenção:

  • Gengiva avermelhada, inchada ou diferente do habitual;
  • Salivação excessiva sem motivo aparente;
  • Pequeno sangramento ao escovar os dentes ou quando o pet mastiga algo mais firme;
  • Tártaro visível nos dentes (crosta amarelada ou amarronzada).

Sinais avançados

Quando a doença já avançou, os sintomas ficam mais evidentes e o pet começa a demonstrar desconforto no dia a dia. Fique atento a:

  • Dificuldade ou relutância para mastigar, especialmente alimentos mais firmes;
  • Preferência por comer de um lado só da boca;
  • Perda de apetite e, como consequência, perda de peso;
  • Esfregar o focinho no chão ou nas patas com frequência;
  • Sangramento na boca durante a alimentação ou ao brincar;
  • Dentes amolecidos ou que caem espontaneamente;
  • Irritabilidade ou isolamento.

Se você notar a gengiva do cachorro sangrando ou o dente do cachorro caindo fora da fase de filhote, não ignore. Esses sinais indicam que a doença já avançou e a avaliação com um médico-veterinário não pode esperar.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo médico-veterinário e combina algumas etapas para ter uma visão completa do que está acontecendo na boca do pet:

  • Anamnese: o profissional faz perguntas sobre os hábitos de higiene, alimentação e os sintomas que o tutor observou em casa;
  • Avaliação visual: exame da boca com o pet consciente para verificar o estado dos dentes e da gengiva;
  • Anestesia: para uma avaliação completa e sem estresse para o pet, é necessário sedá-lo. Só assim o médico-veterinário consegue examinar toda a cavidade oral com segurança;
  • Sondagem periodontal: feita com um instrumento fino, mede o espaço entre o dente e a gengiva. Em cães saudáveis, essa medida deve ser menor que três milímetros;
  • Radiografia intrabucal: considerada obrigatória, ela revela o que não é visível a olho nu, como a perda óssea ao redor das raízes dos dentes;
  • Exames laboratoriais: hemograma e exames de função orgânica podem ser solicitados, especialmente quando há suspeita de que a infecção já comprometeu outros órgãos.

CTA Realizar exames com Plano de Saúde Pet

Tratamento da doença periodontal em cães

O tratamento é feito pelo médico-veterinário, preferencialmente um especialista em odontologia veterinária. Não existe produto caseiro ou medicamento que substitua o procedimento profissional, por isso não adie a consulta quando perceber os sinais.

Agendar consulta com dentista veterinario pelo plano pet

Tartarectomia sob anestesia

O principal tratamento é a tartarectomia, a limpeza de tártaro nos dentes do cachorro, realizada obrigatoriamente sob anestesia geral. Segundo a ABOV, nenhum procedimento de limpeza dentária veterinária deve ser feito sem anestesia. A chamada “limpeza sem anestesia” apenas raspa o que está visível por fora, sem tratar a causa da inflamação.

O procedimento completo inclui:

  • Remoção do tártaro acima e abaixo da linha da gengiva com ultrassom odontológico;
  • Raspagem das raízes expostas quando necessário;
  • Polimento dos dentes para alisar a superfície e dificultar o acúmulo de novas bactérias;
  • Avaliação de cada dente e extração dos que estiverem comprometidos além da possibilidade de recuperação.

O tempo de procedimento varia entre 45 minutos e 2 horas, podendo chegar a 3 horas em casos mais graves. O pet normalmente recebe alta no mesmo dia e já pode se alimentar, com algumas adaptações nos primeiros dias.

Medicamentos e pós-operatório

Antibióticos podem ser indicados para controlar infecções bacterianas secundárias, especialmente em pets com saúde mais comprometida. Enquanto isso, anti-inflamatórios são prescritos para reduzir o desconforto no pós-operatório.

Nos primeiros 10 a 14 dias após o procedimento, algumas atitudes ajudam na recuperação:

  • Oferecer alimentos macios para não irritar a região tratada;
  • Dar os medicamentos conforme a prescrição do médico-veterinário;
  • Evitar exercícios intensos nos primeiros dias;
  • Observar sinais de dor, inchaço ou sangramento excessivo e retornar à clínica se necessário.

Após a recuperação, a escovação regular deve ser retomada para manter o resultado e evitar nova formação de tártaro.

Cachorro com doença periodontal

Como prevenir a doença periodontal em cães

Com hábitos simples no dia a dia, dá para reduzir muito o risco do pet desenvolver a doença periodontal. A prevenção começa em casa e se completa com o acompanhamento veterinário regular.

Escovação diária

A escovação dos dentes do cachorro é a medida mais eficaz de todas. Ela remove a placa bacteriana antes que endureça e vire tártaro. O ideal é escovar todos os dias, mas pelo menos três vezes por semana já faz uma boa diferença.

Use sempre uma escova de dente para cachorro de cerdas macias e uma pasta de dente específica para cães. Nunca use pasta de dente humana: ela contém flúor e xilitol, substâncias tóxicas para os pets, que acabam sendo engolidas durante a escovação.

Se o seu bichinho ainda não aceita a escovação, calma: isso é mais comum do que parece. Comece devagar e com paciência, passando o dedo pela gengiva antes de introduzir a escova. Reforço positivo faz toda a diferença nesse processo.

Aliados no dia a dia

Além da escovação, outros produtos ajudam a controlar o acúmulo de placa:

  • Petiscos e snacks dentais com ação mecânica de limpeza;
  • Brinquedos de borracha com ranhuras ou cordões, que promovem o atrito nos dentes durante a brincadeira;
  • Rações secas de qualidade, que tenham algum efeito abrasivo natural na superfície dentária.

Vale lembrar que esses itens funcionam como complemento da escovação, não como substitutos dela.

Consultas veterinárias regulares

Nenhum cuidado em casa substitui o olhar de um especialista. Levar o pet ao médico-veterinário pelo menos uma vez por ano para avaliação bucal é fundamental para identificar sinais de doença antes que ela progrida. Para raças mais predispostas, como as de porte pequeno e braquicefálicas, consultas semestrais fazem ainda mais sentido.

Cuide da saúde bucal do seu cachorro com o Plano de Saúde Petlove

Manter check-ups em dia e ter acesso a especialistas em odontologia veterinária são formas importantes de prevenir e tratar a doença periodontal com agilidade. E esse cuidado não precisa pesar no bolso.

Com o Plano de Saúde Petlove, a partir do plano Ideal, você tem acesso a diversos especialistas, incluindo médicos-veterinários com foco em odontologia canina. Assim, fica muito mais fácil garantir um diagnóstico rápido e o tratamento adequado para qualquer alteração na saúde bucal do pet, antes que o problema avance.

Com uma rede credenciada de mais de 8 mil parceiros em todo o Brasil, incluindo clínicas, hospitais veterinários, laboratórios e especialistas em odontologia veterinária, o Plano de Saúde Petlove oferece praticidade e previsibilidade financeira para que o cuidado com o bichinho nunca seja adiado.

Conheça o Plano de Saúde Petlove e cuide da saúde bucal do seu cachorro com muito mais tranquilidade! 💜

Banner novidades carência zero em consultas e vacinas - cta conteudo

Perguntas Frequentes

O que é doença periodontal em cães?

É uma inflamação progressiva que ataca as estruturas que sustentam os dentes na boca do cachorro: a gengiva e o osso ao redor de cada dente. Começa com o acúmulo de placa bacteriana, que endurece em tártaro e causa inflamação. Se não tratada, pode levar à perda dentária e até comprometer órgãos como coração, rins e fígado.

Quais são os primeiros sinais da doença periodontal em cães?

O mau hálito forte e persistente costuma ser o primeiro sinal. Junto com ele, podem aparecer gengiva avermelhada ou levemente inchada, salivação excessiva e pequenos sangramentos ao mastigar ou escovar os dentes. O tártaro visível nos dentes também indica que a higiene bucal precisa de atenção imediata.

Com que frequência devo levar meu cachorro ao médico-veterinário para avaliação bucal?

O recomendado é pelo menos uma vez ao ano. Cães de raças pequenas ou de focinho achatado, por serem mais predispostos, se beneficiam de consultas a cada seis meses. O médico-veterinário é quem indica a frequência ideal conforme o perfil do pet.

A doença periodontal tem cura?

O estágio inicial, que é a gengivite, é totalmente reversível com tratamento. A partir do segundo estágio, a condição não tem cura, mas pode ser controlada. Quanto mais cedo for identificada e tratada, menores serão os danos permanentes.

O tratamento pode ser feito sem anestesia?

Não. Todo procedimento de limpeza dentária veterinária completo deve ser feito sob anestesia geral, conforme orientação da ABOV. A “limpeza sem anestesia” só remove o que está visível por fora e não trata a causa da inflamação. 

Como a doença periodontal afeta a saúde geral do cachorro?

Em estágios avançados, as bactérias da boca podem cair na corrente sanguínea e atingir órgãos vitais. Estudos associam a doença periodontal não tratada a maior risco de problemas renais, hepáticos e cardíacos. Cuidar da boca do pet, portanto, é cuidar da saúde dele como um todo.

Raças pequenas realmente têm mais risco de doença periodontal?

Sim. Cães de porte pequeno e de focinho achatado têm mais predisposição porque costumam ter os dentes mais juntos, com menos espaço entre eles, o que dificulta a limpeza natural. Poodle, Yorkshire, Shih Tzu, Lhasa Apso, Chihuahua, Pinscher, Pug e Bulldog Francês são alguns exemplos que merecem atenção redobrada com a higiene bucal.

Por Amanda Fernandes

Sou jornalista, pós-graduanda em Marketing e adoooro falar sobre pets. Sou mãe da gatinha Cristal, do agapornis Alisson e do meu eterno Dachshund (vulgo salsichinha) Scott. Além de pets, curto muito história e uma boa pizza. Desde pequena sou conhecida por amar cães .❤

Veja todas suas publicações

Cadastre-se e fique sabendo das ofertas antes de todos!