O que é a leishmaniose em gatos e seus sintomas
A leishmaniose em gatos é uma zoonose transmitida pelo mosquito-palha. Entenda como funciona a doença, quais sinais observar e o que fazer para proteger seu bichinho.
Muita gente associa a leishmaniose apenas aos cachorros, mas a verdade é que os felinos também podem contrair a doença. A leishmaniose em gatos, popularmente chamada de calazar em gatos, é transmitida por um inseto microscópico e pode se instalar silenciosamente no organismo do bichano, às vezes sem dar sinais por muito tempo.
Isso não significa que todo tutor precisa entrar em pânico. Os felinos têm uma resposta imunológica naturalmente mais eficiente contra o parasita, o que torna os casos clínicos menos frequentes em comparação aos cães. Ainda assim, o risco existe, e conhecer a doença de perto é a melhor forma de agir com rapidez quando necessário.

O que é a leishmaniose em gatos?
A leishmaniose felina é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada do mosquito-palha (conhecido cientificamente como Lutzomyia longipalpis). Trata-se de uma zoonose, ou seja, uma doença que pode afetar tanto os pets quanto os seres humanos, sempre por meio do mesmo vetor, o mosquito.
O ciclo de transmissão funciona assim: o inseto pica um animal infectado e, ao picar outro pet saudável em seguida, transmite o parasita. Por isso, o contágio direto entre gatos não acontece. O mosquito-palha é sempre o intermediário nesse processo.
A doença é considerada endêmica em diversas regiões do Brasil, especialmente em áreas com temperaturas elevadas, saneamento precário e vegetação densa. Em contextos urbanos, ela também pode aparecer, sobretudo onde o controle do vetor é insuficiente.
Gato pega leishmaniose? Entenda por que os felinos são diferentes
Sim, gato pega leishmaniose, mas com uma frequência bem menor do que os cães. Isso acontece porque o organismo dos felinos apresenta uma resposta imunológica mais eficaz contra o parasita: ao contrário dos cães, que têm dificuldade em montar uma defesa celular robusta, os bichanos conseguem combater a infecção com mais eficiência.
Por essa razão, muitos felinos infectados permanecem assintomáticos por longos períodos. O parasita chega a se instalar no organismo, mas não consegue se reproduzir com a mesma facilidade. Nos cães, esse processo é mais acelerado e os sintomas surgem com mais intensidade.
Contudo, a resistência felina não é absoluta. Gatos com o sistema imunológico comprometido, especialmente aqueles com FIV (imunodeficiência felina) ou FeLV (leucemia felina), têm risco significativamente maior de desenvolver a doença de forma ativa. Nesses casos, o acompanhamento veterinário regular é ainda mais fundamental.
Sintomas de calazar em gatos
Como os sinais da leishmaniose felina costumam ser sutis no início, é importante que o tutor conheça as manifestações mais comuns. Os sintomas podem variar bastante conforme o estado de saúde do bichinho e a forma em que a doença se apresenta.
De modo geral, os sintomas de calazar em gatos mais observados são:
- Lesões na pele, como feridas, nódulos, crostas e úlceras, especialmente no focinho, orelhas e patas;
- Queda de pelo ao redor dos olhos e em outras regiões do corpo;
- Inflamação das pálpebras e outros sinais oculares, como olho seco e vermelhidão;
- Emagrecimento progressivo sem causa aparente;
- Falta de apetite e apatia;
- Inchaço dos linfonodos (gânglios);
- Febre;
- Aumento do consumo de água.
Nos casos mais graves, que envolvem a forma visceral da doença, podem surgir sinais como aumento do fígado e baço, anemia e alterações nos rins. Vale reforçar que esses sintomas podem se confundir com outras doenças felinas, como esporotricose e criptococose. Por isso, a investigação veterinária é imprescindível para um diagnóstico correto.
Como é feito o diagnóstico da leishmaniose felina?
O diagnóstico da leishmaniose em felinos é um dos pontos mais desafiadores para o médico-veterinário. Justamente porque muitos gatos não apresentam sintomas, a suspeita clínica nem sempre surge de forma imediata. Em geral, o médico-veterinário combina diferentes métodos para chegar a uma conclusão.
| Exame | O que avalia |
| Sorologia (ELISA) | Detecta anticorpos contra a Leishmania no sangue |
| PCR | Identifica o DNA do parasita com alta sensibilidade |
| Hemograma completo | Avalia anemia, alterações plaquetárias e resposta inflamatória |
| Citologia aspirativa | Visualiza diretamente o parasita em linfonodos ou lesões |
| Histopatológico | Analisa tecidos com lesões cutâneas para confirmar a infecção |
O médico-veterinário também costuma solicitar testes para FIV e FeLV, já que a presença dessas condições influencia tanto o diagnóstico quanto o tratamento. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de controlar bem a doença e oferecer qualidade de vida ao bichinho.
Tratamento da leishmaniose em gatos
O tratamento da leishmaniose em gatos não tem protocolo único nem cura definitiva. O objetivo é controlar os sintomas, estabilizar o organismo do felino e evitar a progressão da doença. Por isso, o acompanhamento veterinário constante é fundamental durante todo o processo.
Como o organismo dos gatos reage de forma diferente ao de outras espécies, as doses de medicamentos e a duração do tratamento precisam ser individualizadas pelo especialista.
Durante o tratamento, exames de sangue e de urina são realizados regularmente para avaliar a resposta do bichinho à terapia e ajustar o que for necessário. Vale destacar que a interrupção do acompanhamento pode favorecer a recaída, especialmente em períodos de estresse ou queda da imunidade.
Um ponto de atenção importante: alguns repelentes usados em cães, especialmente os que contêm piretroides, são tóxicos para gatos. Nunca aplique produtos caninos em felinos sem orientação veterinária!

Como prevenir a leishmaniose em gatos
A prevenção do calazar em gatos começa pelo controle do vetor. Como o mosquito-palha é mais ativo ao entardecer e durante a noite, manter o felino dentro de casa nesses horários já reduz bastante o risco de picadas.
Além disso, outras medidas ajudam a proteger o bichinho:
- Instalar telas de proteção em janelas e portas para impedir a entrada do inseto;
- Manter o ambiente limpo, sem acúmulo de folhas, matéria orgânica, lixo ou umidade excessiva, condições que favorecem a reprodução do mosquito-palha;
- Usar ventiladores ou ar-condicionado nos cômodos, pois o mosquito-palha é sensível a correntes de ar;
- Evitar que o gato tenha contato com cães infectados, principalmente em regiões endêmicas;
- Utilizar apenas repelentes aprovados e específicos para felinos, nunca produtos formulados para cães ou humanos.
Atualmente, ainda não existe vacina registrada contra a leishmaniose para gatos. Por isso, o controle ambiental e o acompanhamento veterinário são as principais ferramentas de proteção disponíveis.
Se você mora em uma região com histórico da doença, vale conversar com o médico-veterinário do seu bichinho sobre exames periódicos de triagem.
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Perguntas frequentes
Gato pode pegar leishmaniose?
Sim. Os felinos podem contrair leishmaniose pela picada do mosquito-palha infectado. Embora sejam menos suscetíveis que os cães, gatos com imunidade comprometida, especialmente os que têm FIV ou FeLV, têm risco maior de desenvolver a doença de forma ativa.
Quais são os sintomas de calazar em gatos?
Os sinais mais comuns incluem lesões na pele (feridas, nódulos e crostas no focinho, orelhas e patas), queda de pelo, emagrecimento, falta de apetite, inchaço dos gânglios e alterações oculares. Muitos gatos infectados permanecem assintomáticos por longo período.
Leishmaniose em gatos tem cura?
Não existe cura definitiva para a leishmaniose felina. O tratamento tem como objetivo controlar os sintomas, estabilizar a saúde do bichinho e prevenir a progressão da doença. Com acompanhamento veterinário adequado, o gato pode ter boa qualidade de vida.
Como o gato pega leishmaniose?
A transmissão acontece exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado. Não há contágio direto entre gatos, entre cão e gato, ou entre pets e humanos, sem a participação do inseto vetor.
Posso usar repelente de cachorro no gato para prevenir a leishmaniose?
Não. Muitos repelentes formulados para cães, especialmente os que contêm piretroides, são tóxicos para gatos e podem levar o felino a óbito. Use apenas produtos desenvolvidos especificamente para felinos, sempre com orientação do médico-veterinário.
Existe vacina contra leishmaniose para gatos?
Não. Até o momento, não há vacina registrada contra a leishmaniose felina. A prevenção é feita pelo controle ambiental, pelo uso de repelentes adequados e pelo acompanhamento veterinário regular, especialmente em áreas endêmicas.



