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Impactos do isolamento na vida dos pets

Por Jade Petronilho -

Humanos são seres naturalmente sociais, que costumam viver em grupos, sejam eles familiares, de trabalho, de lazer ou por certas afinidades. Cães, assim como nós, tendem a ter a necessidade de conviver com outros seres, sejam eles da própria espécie ou não, sendo este último cada vez mais comum para a realidade destes pets.

Os gatos, por outro lado, não possuem estas mesmas características, podendo viver bem de forma solitária e, por isso, precisamos enxergar os impactos do isolamento social de formas diferentes de acordo com cada espécie. 

Muitos animais costumavam ficar mais de oito horas por dia sem a companhia de humanos e, sem sequer terem tempo de se adaptar, grande parte deles se viu ficando 24 horas com seus humanos trabalhando, estudando e agitando suas rotinas diárias como nunca. E o pior: não era só mais um ou dois dias atípicos como os costumeiros e agitados finais de semana, mas sim meses de muito barulho, reuniões, aulas, discussões, cochilos interrompidos, pouco passeio e muitas, mas muitas interações inapropriadas. 

Os cachorros, no início, se sentiram no Paraíso, pois tinham seus humanos o tempo todo por perto, algo que para eles seria o mais natural possível, uma vez que a “matilha” deveria estar sempre unida. Os gatos, em contrapartida, sentiram um enorme sentimento de invasão: “por que essas pessoas estão me incomodando o tempo todo na minha casa?”.

Todas as mudanças que envolveram o início do isolamento social, porém, certamente geraram estresse e expectativas em todos, mas o que achávamos que duraria apenas algumas semanas se estendeu por meses e em alguns casos gerou ansiedade, hiperapego e bastante frustração. 

Ao mesmo tempo que os cachorros tinham seus tutores full time dentro de casa, eles deixaram de fazer seus costumeiros passeios, de frequentar creches e hotéis e de ver e conviver com outros seres da própria espécie. Cachorros que saíram de abrigos ou canis e foram adotados por uma família no último ano, não passaram por um trabalho adequado de socialização e não sabem como lidar com a ausência de seus companheiros humanos. 

Os gatos que tinham o hábito de dormir ao longo do dia e “caçar” e brincar após o entardecer (quando os humanos voltavam para casa) se viram importunados diversas horas do dia pelas pessoas, que com frequência queriam interagir, tirar fotos e os estimular a qualquer custo – um verdadeiro pesadelo para a maioria deles! E os que chegaram às residências em meio a esse período turbulento, foram expostos a um ambiente incomum e não tão agradável para seres que não têm a necessidade dessa vida em grupos (muito menos em grupos impostos). 

Dito tudo isso, podemos perceber que o isolamento social não foi um período difícil somente para nós, mas também para os animais que fazem parte de nossas famílias e agora, é nosso dever, minimizar os problemas que o fim do isolamento pode causar em cães e gatos. 

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Por Jade Petronilho

É jornalista por formação e comportamentalista veterinária por paixão. Desde criança é a "louca dos bichos", por isso resolveu estudar medicina veterinária, etologia e nutrição animal, mas ainda pretende, um dia, fazer zootecnia. Atualmente tem dois cachorros, três gatos e oito peixes, mas além de cães, gatos e peixes, também já foi tutora de um coelho, três periquitos, dois porcos da índia, dois pintinhos e três cabritos. Hoje, é Coordenadora de Conteúdo Veterinário da Petlove&Co.

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