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Trato meu cão como filho. Isto é errado?

Por Renato Zanetti -

Iniciando o texto pela resposta, não, não é errado tratar seu cão como filho. Mas depende. Vamos à justificativa: desde que você cuide do seu cão como um filho para ser independente, seguro, confiante, apto para demonstrar comportamentos naturais, conhecedor das regras sociais, sem deixar de ser amoroso, carinhoso, amigo e companheiro, tudo bem.

Na maioria dos casos, pais criam filhos para se tornarem educados em sociedade, seguros quando sozinhos e confiantes para resolverem situações adversas. É isso que você faz com seu cão? Em caso afirmativo, perfeito!

Mulher segurando a pata de um cachorro

Em contrapartida, se você trata seu cão como um filho mimado, dependente, inseguro, autoritário, sim, é um problema tanto para o cão, quanto para quem vive com ele.

O senso comum dá a esta relação o nome de ‘humanização’. Entende-se que humanizar os animais é tratá-los como se fossem pessoas, conferindo a eles desejos e aspirações próprias a humanos. Certamente que projetar a outra espécie sentimentos inerentes à nossa não traz efeitos positivos a ambas.

A “humanização” dos cães tem uma via única na qual o humano é sempre beneficiado e o cão, a médio e longo prazo, quase nunca. Todavia, a palavra correta para descrever este comportamento não deveria ser nenhuma relacionada a ‘humanos’, uma vez que as atitudes atribuídas à humanização nada têm a ver com a relação entre pessoas saudáveis.

Cachorro sentado na cadeira

Em nome do amor, alguns optam por determinadas atitudes com os cães que não tiveram ou teriam com filhos. Vamos pensar juntos: um humano adulto carrega outro humano também adulto e saudável no colo durante um passeio no parque?

Não seria estranho uma pessoa dar o almoço na boca de outra pessoa adulta e saudável apenas por acreditar que esta é incapaz? Ainda, seria sustentável não sair de casa porque um filho adulto não fica sozinho e, se isto acontece, grita e chora a ponto de o síndico intervir?

Pois é. Não tratamos humanos saudáveis desta forma caricata. Mas é possível ver pessoas fazendo isto com os cães. É por isso que acredito que a palavra correta não deveria ser ‘humanização’ dos cães, pois não tratamos humanos saudáveis assim.

E qual a consequência desta forma de relacionamento entre cães e pessoas?

Quando o cão é tratado de forma “humanizada”, ou seja, como um filho mimado, as consequências mais comuns de tal tratamento são:

Para o cão:

  1. Ansiedade por separação (potencial causa de abandono)
  2. Transtornos compulsivos (latidos em excesso, lambeduras, estereotipias, etc)
  3. Insegurança
  4. Medos e fobias
  5. Supressão de comportamentos naturais à espécie
  6. Baixo interesse social (com a mesma espécie)

Cachorro deitado

Para as pessoas:

  1. Criar uma relação de dependências, acreditando que seu cão não vive sem sua presença
  2. Isolamento social, pois os cães passam a ocupar o lugar que poderia ser preenchido por outro humano
  3. Projetar necessidades e expectativas que não existem
  4. Acreditar em emoções caninas que não têm nenhum benefício adaptativo para a espécie, como: vingança, rancor e birra.

E como podemos reverter este quadro?

  1. Desejar um cão mais independente, confiante e seguro.
  2. Não projetar nos cães emoções que não existem
  3. Adotar medidas que construam uma relação mais independente entre o tutor e o cão, como, por exemplo: ensinar o cão a ficar sozinho em casa.
  4. Criar uma rotina com atividades ao ar livre
  5. Buscar sociabilizar o cão, com aulas de adestramento em grupo, passeios em parques, viagens pet friendly e Day Cares.
  6. Ser cauteloso nestas mudanças, pois o cão precisará passar por uma nova adaptação.
  7. Respeitar a individualidade do pet: embora seja muito amado e seja parte da família humana, um cão é um cão.

Que tal darmos o tratamento respeitoso aos nossos amigos caninos, conferindo a eles a possibilidade de expressarem seus comportamentos naturais, tal qual nós gostamos de, também, expressar? Nem mais, nem menos: exatamente cães amigos, amados, sociáveis, saudáveis e inseridos na nossa família. Pense nisto e viva feliz com seu cão!

Por Renato Zanetti

Zootecnista da Dog Solution®, um Centro de Convivência Canina® que utiliza o enriquecimento ambiental como forma de equilíbrio e bem-estar de cães urbanos. Após 35 mil horas de observação e prática, desenvolveu o Conceito Dog Solution de Bem-Estar Animal®, baseado na tríade Ciência, Pessoas & Ambiente. www.dogsolution.com.br www.facebook.com/dogsolution contato@dogsolution.com.br (11) 2384-7551

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25 comentários

  1. Ricardo disse:

    otimo artigo…obrigado

    1. Olá, Ricardo. Que legal que gostou do artigo. Viu que temos outros temas nesta coluna? Fique de olho. 😉

      Grande abraço, Renato.

  2. Jéssica disse:

    Muito bom!!!

    1. Olá, Jéssica. Que legal que gostou do artigo. Teremos outras dicas nesta coluna. Nos acompanhe 🙂

      Grande abraço, Renato

  3. Jana disse:

    Ai… eu sou uma péssima mãe! Fiz td errado. ?

    1. Jana… não se puna 🙂 Você deve ter feito o que sabia fazer. Mas, conhecendo uma nova realidade, dá tempo de oferecer um pouco mais de ‘vida canina’ ao seu cão. Acompanhe as dicas sobre comportamento dos cães e tente aplicá-las no seu dia a dia. Vai funcionar.

      Grande abraço, Renato

  4. regina disse:

    acho que estou errando muito com meu filhinho também

    1. Olá, Regina. Ainda dá tempo de alterar o percurso e mudar… 🙂 Busque mais informações sobre comportamento dos nossos amigos e os aplique. Cães aprendem a vida toda (como nós). Vale a pena saber mais sobre as reais necessidades dos nossos amigos 🙂

      Grande abraço, Renato

  5. Nazaré Olegario disse:

    Muitas vezes fazemos a coisa errada sem se dar conta do que pode acarretar futuramente.

    Adorei o artigo!!!

    Obrigada pela orientação!!

    1. Nazaré, tem razão! Cães não vêm com ‘manual de instrução’. Por conta disto, fazemos coisas que não são tão legais, acreditando que estamos acertando. Por isto é bom sempre estar atento a dicas sobre comportamento dos cães.

      Legal que gostou do artigo. Sempre iremos enviar outras dicas para pessoas e cães viverem bem. Nos acompanhe 🙂

      Grande abraço, Renato

  6. Ellen Maciel disse:

    Artigo muito bom. Pena que eu o li tarde demais. Meus cães são muito amáveis, mas só com minha família. Com as outras pessoas, eles querem atacar, morder. Acho que os eduquei mal, dei tudo do bom e do melhor mas pequei no tratamento e o comportamento deles na rua é insuportável.

    1. Olá, Ellen. Não coloque tanta ‘pressão’ no seu cão. 🙂 Cada um tem um temperamento e vontades distintas, que podem fugir daquele ‘cães ideal’ que algumas pessoas imaginam. O legal é, sabendo destas dicas, adequá-las ao seu dia a dia. Aproveite o que seu cão tem de legal (amável com sua família) e invista mais tempo nisso.

      Um grande abraço e boa sorte com seu cão 😉

  7. Mari disse:

    Muito bom o assunto, estou com uma filhotinha de shih tzu de 4 meses, e não estou conseguindo educar ela a ficar sozinha em casa, ela nunca late, mais qdo saimos ela começa a latir, ai saiu com dó e fico naquela expectativa se ela está bem, se está latindo, ja estou preferindo não sair.

    1. Olá, Mari. Tudo bem?

      Não deixe de sair. Ela ainda é bem filhotinha e são enormes as chances dela se adaptar.

      Uma dica: faça a sua ausência ser tão legal para a vida da sua shih tzu quanto sua presença. Como? Ofereça algo que só apareça na sua ausência: um brinquedinho, uma comida especial, alguma atividade de enriquecimento ambiental. Faça sua cachorrinha ficar alegre pela expectativa de ganhar algo quando você sai e, não, perder.

      É isso 😉

      Boa sorte com sua cachorrinha. 🙂

  8. Anônimo disse:

    Eu sei que estou agindo de forma errada, mas me parte o coração deixar meu filho sozinho em casa as vezes deixo de sair pra ficar com ele

    1. Olá, tudo bem?

      Veja a resposta que foi dada para a Mari (aqui abaixo). São casos bem parecidos.

      🙂

      Grande abraço, Renato Zanetti

  9. Juliana disse:

    Otimo artigo! Temos um york de 1 ano e 1 mes. Ele é filho unico, quando estamos em casa, ele tem acesso a todos os cômodos da casa. Quando saímos, ele fica no quarto dele, onde contém petiscos escondidos , água e muitos brinquedos. É o espaço dele. Não temos problemas com latido é choro , ele sabe certinho como se comportar nos ambientes. Desde filhote levamos ele em parques, restaurante, acampamentos, tudo que aceita pet ,levamos! É um mimoso da família

  10. Hugo disse:

    Boa noite! Gostei muito do artigo e parece ter sido todo escrito para mim. Meu buldogue francês tem 2 1/2 anos e desde então não saio mais. Morro de pena, acho até que dói mais em mim do que nele, fiz tudo errado. E agora? Obrigado HUGO

  11. Ingrid disse:

    Ótimo artigo.
    Minha cachorra tem 4 anos, ela é uma fofa! Consegue interagir socialmente com outras pessoas em minha casa, quando estamos em casa (Eu e meu marido) ela acessa todos os cômodos da casa e fica tranquila ao nosso lado. Entretanto, quando saímos ela late demais, chora horrores, ela arranhou as paredes da varando onde tem janelas – como se tivesse tentando acessá-las para entrar na casa- uma vez que a porta principal está fechada. Já tentei deixar uma muda de roupa para ela sentir o cheiro, porém, não deu certo. Tentei ainda, deixar vários bichinhos de pelúcia para que pense ser companhias para ela, também sem sucesso. Ah.. por ultimo dei um osso que ela vai desgastando ao brincar, porém, ela nem liga para o objeto! Me orientaram a deixar ela acessar a casa, mesmo quando não estivermos, pois fiz isso e resultado… ela continua chorando e deixando as patinhas em tudo quanto é lugar. Já não sei o que fazer…me ajude Renato!!!!!

  12. RENATA SILVA disse:

    Olá, ótimo artigo. Adotei um cachorrinho esses dias, tem 10 dias que ele está comigo ,..ele tem 40 dias de vida, mas como estimular esse comportamento sociável se ele ainda não viu ninguém estranho, pois somos eu e meu marido apenas? Ainda não nos separamos do pet, mas na próxima semana vou voltar ao trabalho, como fazer para ele ficar feliz na nossa ausência?

  13. Neide silva brasil disse:

    Ola Ricardo eu sou dona de duas yok chai gostaria de saber como eu fasso para encinalas fazer suas necicidades no lugar certo e o que fasso para que elas latao tanto pois quando chega qualquer pessoa em minha casa elas ficção enloquecidas latem muito quase nao consigo nem falar com a pessoa

  14. Simone disse:

    Tenho 2 poodles são muito mimados,faço tdo errado.

  15. Loyce Barbosa disse:

    Excelente artigo. Eu adoro cães, mas acho que eles tem o estilo de vida deles, coisas de cães. Ainda acho meio estranho essa história de tratar como filho… ensaio fotográfico p cachorro, andar com o bicho p todo lado, deixar de sair por conta do cachorro. Quando o bichinho adoece, ok, mas estando bem n entendo esse comportamento.

    Meu cãozinho é total wild life. Tem a casa protegida e quentinha, mas fica fora da casa “humana”. Tem um quintal enorme p correr, cavar, fuçar. Brinco com ele um pouco quando chego do trabalho todos os dias. Brincadeiras do tipo jogar coisas para buscar, um futebolzinha kkkkk e a boa e velha coçada na barriga.

    Mesmo vivendo no quintal, não tem pulgas e nem carrapato. A Vet. disse que ele está saudável e forte.

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