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Você sabia que os gatos também podem ser surdos?

Por Isabela Zitti -

Todos os gatinhos nascem com os olhos e ouvidos fechados, isso é natural para a espécie. Em torno do vigésimo dia após o nascimento, o canal do ouvido começa a se abrir e, a partir dos trinta dias de vida, os felinos já conseguem escutar totalmente todos os sons do ambiente.

Porém, alguns gatos já nascem surdos. A surdez congênita hereditária é observada quase exclusivamente em felinos de pelagem branca. Ela é causada pela degeneração do aparelho auditivo da orelha interna e pode acometer uma orelha (unilateral) ou ambas as orelhas (bilateral).

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A surdez nos felinos também está fortemente ligada à cor dos cor dos olhos azuis, mas nem todos os gatos brancos ou gatos brancos com olhos azuis são necessariamente surdos.

No geral, os gatos surdos com pelagem branca e um ou ambos os olhos azuis representam cerca de 1-1,5% da população total de gatos. No entanto, a prevalência de gatos brancos varia em diferentes regiões geográficas .

Se um gato branco tem dois olhos azuis, ele tem de três a cinco vezes mais probabilidade de ser surdo do que um gato com dois olhos não azuis. Um gato com um olho azul tem cerca de duas vezes mais probabilidade de ser surdo do que um gato com dois olhos olhos não azuis. Além disso, gatos brancos de pelo comprido têm três vezes mais chances de serem surdos bilateralmente.

Alguns gatos podem ficar surdos no decorrer da sua vida por sequela de algum problema de saúde, como por exemplo uma otite, que é uma infecção nos ouvidos, ou por outros problemas como neurológicos, acidentes etc.

E como saber se meu gato é surdo? 

O seu gatinho pode ter uma surdez total (não escutar nada), ou parcial (escutar alguma coisa). Mas na maioria das vezes fica difícil fazer essa identificação, já que diferente dos humanos, os gatos não falam.

Entretanto, alguns testes podem ser realizados, como por exemplo:

Fora da visão do gato, jogue uma bolinha de papel no chão e veja se ele vai demonstrar alguma reação como girar as orelhas ou até procurar a bolinha que você jogou no chão.

Os gatos possuem em média uma audição três vezes mais potente que a nossa, fora que toda a estrutura da sua orelha ( músculos, pelos etc) são adaptadas para ser uma espécie que precisa caçar e ao mesmo tempo se defender dos predadores.

Os gatos são capazes de escutar sons ultrassônicos, totalmente imperceptíveis para o ser humano. Apenas alguns mamíferos como baleias e morcegos conseguem escutar melhor que os gatos.

Quais mudanças de comportamento podemos observar nos gatos surdos? 

Aqui vale lembrar que o olfato, a audição e a visão são os principais sentidos dos gatos, e eles são usados na comunicação e na busca de segurança e controle do seu território.

Gatos surdos criados com os seres humanos provavelmente vão conseguir se adaptar ao seu ambiente, desenvolvendo mais os outros sentidos (assim como ocorre com o homem), mas mesmo assim, eles ainda podem: 

  • Ser mais ansiosos
  • Desenvolver agressividade por medo
  • Ter dificuldade em se relacionar com outros gatos ou animais
  • Ser mais agitados ou mais quietos 

E como melhorar o ambiente de um gato surdo?

Vale mais uma vez lembrar que a surdez pode deixar o gato muito vulnerável, por isso devemos:

  1. Melhorar o enriquecimento ambiental físico: adicionando itens como túneis, prateleiras, tocas, caixas de papelão etc. Esses locais servirão como rotas de fuga e esconderijo para o felino.
  2. Estimular a caça:  brincar para o gato significa caçar, e promover esse comportamento vai aumentar o senso de segurança dele. Para isso, podemos fazer uso de varinhas, ratinhos e comedouros interativos.
  3. Deixar o gato no controle: estar no controle da situação é crucial para um gatinho surdo. Muitas vezes o comportamento dos tutores como pegar no colo, querer abraçar, ficar tirando fotos etc, pode trazer mais insegurança e desconforto para eles. 

Por esses motivos, sempre devemos lembrar que os gatos são únicos, e com personalidades diferentes. Respeitar essa individualidade é essencial para o nosso convívio com eles.

Por Isabela Zitti

É médica-veterinária especializada em comportamento felino e com pós- graduação em Clínica Médica de Felinos. Possui 10 gatos (8 resgatados da rua) que são o amor da vida dela, e esse amor a fez dedicar-se exclusivamente ao atendimento comportamental de felinos. Possui várias certificações internacionais e realiza consultas, cursos e palestras por todo o país.

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