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Cardiopatia em cães – O que é, sintomas e principais doenças

Entenda o que é cardiopatia em cães, quais são as doenças mais comuns, os sinais de alerta e como o check-up regular pode salvar a vida do seu pet.

Por Amanda Fernandes -

Cardiopatia em cães é um termo amplo para um conjunto de condições que afetam o coração dos cachorros, comprometendo sua capacidade de bombear sangue para o organismo. 

Ao contrário do que muitos tutores imaginam, essas doenças não afetam apenas pets idosos: filhotes e cães adultos também podem ser acometidos, muitas vezes sem apresentar sinais visíveis nas fases iniciais.

Por isso, durante a campanha Setembro Vermelho, há um trabalho de conscientização sobre a saúde cardíaca dos pets. A data é baseada no Dia Mundial do Coração (29 de setembro) e se estende também à medicina veterinária. Aproveite para saber mais e, quem sabe, agendar aquela consulta que você vem adiando.

Cachorro segurando coração vermelho.

O que é cardiopatia em cães?

Cardiopatia é qualquer alteração que comprometa o coração do cachorro, seja na sua estrutura física ou no seu funcionamento. O coração é responsável por bombear sangue a todo o organismo, distribuindo oxigênio e nutrientes para cada órgão e tecido. Quando esse sistema falha, os reflexos aparecem em todo o corpo.

A doença pode afetar as válvulas cardíacas, o músculo do coração, o sistema elétrico que regula os batimentos ou o saco que envolve o órgão (chamado pericárdio). Em alguns casos, os cães já nascem com essas alterações. Em outros, elas se desenvolvem ao longo da vida.

Segundo estudos, cerca de 11% das doenças diagnosticadas em cães são cardiopatias que podem evoluir para insuficiência cardíaca. Quando não tratadas adequadamente, essas condições afetam diretamente a qualidade de vida do pet e, em casos graves, podem ser fatais.

Principais problemas cardíacos em cães

Existem diferentes tipos de cardiopatia canina, cada uma com características e populações mais afetadas. Conhecer as mais comuns ajuda o tutor a entender melhor o que pode estar acontecendo com o pet.

Doença valvar degenerativa (mixomatosa mitral)

É a cardiopatia mais frequente em cães, especialmente de pequeno e médio porte. A doença valvar degenerativa acontece quando as válvulas do coração, que controlam o fluxo de sangue entre as câmaras, começam a se deteriorar e perdem a capacidade de fechar corretamente.

Com o tempo, o sangue passa a “vazar” de volta, sobrecarregando o coração e levando, em casos avançados, à insuficiência cardíaca congestiva. Raças como Cavalier King Charles Spaniel, Dachshund, Poodle e Yorkshire Terrier têm predisposição genética mais elevada para essa condição.

Cardiomiopatia dilatada

Nessa condição, o músculo cardíaco enfraquece progressivamente, as câmaras do coração aumentam de tamanho e a capacidade de bombear sangue para o corpo vai diminuindo. É a cardiopatia mais associada a raças de grande e gigante porte, como Dobermann, Boxer, Labrador, Dogue Alemão e Irish Wolfhound.

Pesquisas europeias apontam que até 58,8% dos Dobermanns podem desenvolver cardiomiopatia dilatada ao longo da vida, o que reforça a importância do monitoramento periódico nessas raças.

Cardiopatias congênitas

São alterações com as quais o filhote já nasce. Podem envolver malformações nas válvulas, nos vasos que conectam o coração ao restante do corpo ou na parede que divide as câmaras cardíacas. Nem sempre causam sintomas imediatos, mas tendem a se agravar conforme o pet envelhece.

Exemplos incluem a persistência do ducto arterioso (PDA) e a estenose pulmonar, detectáveis ainda na fase de filhote por meio de ausculta cardíaca durante consultas de rotina.

Dirofilariose (verme do coração)

A dirofilariose é causada pelo parasita Dirofilaria immitis, transmitido pela picada de mosquitos infectados. O verme se desenvolve nos vasos pulmonares e no coração do pet, causando inflamação, danos progressivos e podendo ser fatal quando não tratado.

Mais comum em regiões litorâneas e de clima quente, a doença também pode ocorrer em outras partes do Brasil. A prevenção, com antiparasitários e repelentes indicados pelo médico-veterinário, é o caminho mais seguro. Consulte sempre o profissional que acompanha o seu pet antes de escolher qualquer produto.

Arritmias cardíacas

Arritmias são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos: o coração pode bater rápido demais, devagar demais ou de forma irregular. Isso compromete o bombeamento de sangue e pode causar desmaios, fraqueza e, em casos graves, parada cardíaca.

Algumas arritmias são secundárias a outras doenças cardíacas; outras aparecem de forma independente. O eletrocardiograma (ECG) é o exame indicado para identificá-las com precisão.

cachorro cardiopata.

Quais cardiopatias afetam mais cada grupo?

Porte / Tipo Cardiopatias mais frequentes
Pequeno porte (Poodle, Yorkshire, Dachshund, Cocker) Doença valvar degenerativa (mixomatosa mitral)
Grande porte (Dobermann, Boxer, Labrador, Dogue Alemão) Cardiomiopatia dilatada
Filhotes (qualquer raça) Cardiopatias congênitas
Cães em regiões litorâneas Dirofilariose (verme do coração)

Cachorro com problema no coração: sintomas que merecem atenção

Um dos maiores desafios das cardiopatias é que, nas fases iniciais, o cachorro cardiopata não demonstra sinais evidentes. Com o avanço da doença, porém, alguns sintomas vão aparecendo, muitas vezes confundidos com o envelhecimento natural ou com outras condições.

Fique atento se o seu pet apresentar qualquer um desses sinais:

  • Tosse seca persistente, especialmente à noite ou após agitação;
  • Cansaço fácil durante passeios ou brincadeiras que antes não causavam esforço;
  • Respiração ofegante em repouso ou dificuldade para respirar;
  • Língua e gengivas com coloração arroxeada ou azulada;
  • Desmaios ou perda momentânea de consciência;
  • Barriga inchada por acúmulo de líquido no abdômen;
  • Perda de peso e de apetite sem causa aparente.

Vale lembrar que a tosse cardíaca não vem dos pulmões diretamente. Ela acontece porque o coração aumentado pressiona os brônquios, estimulando o reflexo da tosse. Por isso, muitos tutores demoram a associar esse sintoma a um problema cardíaco.

Cachorro cardiopata ofegante: o que fazer?

Se o seu cachorro cardiopata está ofegante, mesmo em repouso, isso pode indicar agravamento do quadro e merece avaliação imediata.

O que fazer nesse momento:

  • Mantenha o pet calmo e em local arejado;
  • Não force o cachorro a se deitar, pois essa posição pode agravar a dificuldade respiratória;
  • Não ofereça medicamentos sem orientação do médico-veterinário;
  • Leve o pet a uma clínica ou hospital veterinário com urgência.

O tempo é fundamental. Quanto mais rápido o pet receber atendimento, maiores as chances de estabilização do quadro. Não espere os sintomas piorarem para procurar ajuda.

Causas e fatores de risco das cardiopatias caninas

As causas da cardiopatia em cães raramente são isoladas. Na maioria dos casos, é uma combinação de fatores que contribui para o desenvolvimento da doença. Por isso, conhecer esses fatores de risco ajuda o tutor a adotar medidas preventivas mais cedo.

Idade avançada

O envelhecimento provoca alterações estruturais no tecido cardíaco, nas válvulas e nos vasos sanguíneos. Cães com mais de 7 anos têm chances maiores de desenvolver alguma forma de cardiopatia, e pets acima de 10 anos apresentam risco ainda maior de doença valvar crônica.

Predisposição genética e raça

Algumas raças carregam maior predisposição a cardiopatias específicas. Cães de pequeno porte, como Poodle, Yorkshire Terrier, Cocker Spaniel e Schnauzer, têm histórico mais frequente de doenças valvares. Já raças grandes, como Boxer, Labrador e Dobermann, são mais suscetíveis à cardiomiopatia dilatada.

Isso não significa que um cachorro dessas raças vai inevitavelmente ter cardiopatia, mas que o monitoramento precisa ser ainda mais criterioso.

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Obesidade e sedentarismo

O excesso de peso sobrecarrega o coração, eleva a pressão arterial e favorece alterações no sistema cardiovascular. Além disso, o sedentarismo agrava esse cenário, contribuindo para a obesidade e para a perda de condicionamento físico do pet.

Manter o pet em um peso saudável e com uma rotina de atividades físicas moderadas, sempre orientada pelo médico-veterinário, é uma das formas mais eficazes de proteger o coração.

Alimentação inadequada

Dietas ricas em sódio ou deficientes em nutrientes como taurina e carnitina estão associadas ao desenvolvimento de cardiopatias em cães. 

Doenças infecciosas e endócrinas

Condições como hipotireoidismo e diabetes mellitus podem afetar o funcionamento do coração. Da mesma forma, algumas doenças infecciosas, como a parvovirose e a erliquiose, podem provocar inflamação no músculo cardíaco (miocardite) e levar ao desenvolvimento de cardiopatias.

Manter a carteira de vacinação em dia e o controle de parasitas atualizado são medidas preventivas que também protegem o coração do seu pet.

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Como o médico-veterinário diagnostica cardiopatia em cães

O diagnóstico preciso da cardiopatia canina começa com a consulta veterinária. Durante o exame clínico, o médico-veterinário realiza a ausculta cardíaca (com estetoscópio) para identificar alterações no ritmo, sopros ou sons anormais. Esse passo simples pode revelar o problema antes mesmo de qualquer sintoma aparente.

A partir daí, exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da condição:

  • Radiografia de tórax: permite visualizar o tamanho do coração, a presença de líquido nos pulmões e outras alterações na estrutura torácica;
  • Ecocardiograma: ultrassom do coração, considerado o exame padrão-ouro para avaliação cardíaca. Avalia o funcionamento das válvulas, o tamanho das câmaras e a força de contração do músculo;
  • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e identifica arritmias;
  • Hemograma e exames de sangue: avaliam o estado geral do organismo e podem indicar complicações associadas.

O indicado é que pets acima de 7 anos realizem uma avaliação cardiológica anual (ou conforme indicado pelo médico-veterinário), mesmo sem sintomas. O diagnóstico precoce é o que faz a diferença entre um tratamento eficaz e um quadro de difícil controle.

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cachorro com coração vermelho

Tratamento da cardiopatia em cães

A cardiopatia canina não tem cura definitiva na maioria dos casos, mas com o tratamento adequado, muitos cães vivem de forma confortável e com boa qualidade de vida por anos. O protocolo é sempre individualizado, de acordo com o tipo de doença, o estágio e as condições gerais do pet.

Medicamentos

Os medicamentos são a base do tratamento das cardiopatias caninas. Em geral, o objetivo é reduzir o acúmulo de líquidos no organismo, melhorar a circulação sanguínea e diminuir o esforço do coração. 

Os fármacos mais utilizados incluem diuréticos, vasodilatadores e medicamentos que melhoram a força de contração cardíaca.

O uso de qualquer medicamento cardíaco precisa ser exclusivamente prescrito pelo médico-veterinário. Nunca administre remédios humanos ou de outros animais ao seu pet.

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Alimentação e controle de peso

Dietas com restrição moderada de sódio ajudam a reduzir a retenção de líquidos e a pressão nos vasos sanguíneos. Proteínas de alta qualidade são indicadas para preservar a massa muscular, especialmente em cães que já apresentam perda de peso. Por isso, o médico-veterinário poderá indicar uma ração própria para cães cardiopatas.

Além disso, em alguns casos, o médico-veterinário pode indicar suplementação com ômega-3 e outros nutrientes que beneficiam a função cardíaca.

Exercícios moderados e ambiente tranquilo

Cães cardiopatas precisam se movimentar, mas com moderação. Caminhadas curtas e tranquilas são recomendadas para manter o tônus muscular sem sobrecarregar o coração. Situações estressantes e temperaturas extremas devem ser evitadas, pois podem agravar os sintomas.

Acompanhamento veterinário regular

A frequência das consultas varia conforme a gravidade do caso, mas cães diagnosticados com cardiopatia geralmente precisam de avaliações a cada 3 a 6 meses. O médico-veterinário ajusta o tratamento conforme a evolução da doença, tornando o monitoramento contínuo parte fundamental do cuidado.

Setembro Vermelho e a saúde cardíaca dos pets

O Setembro Vermelho nasce da campanha de conscientização sobre doenças cardíacas em humanos, centrada no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. Na medicina veterinária, a data ganhou força para lembrar os tutores de que o coração dos pets também precisa de atenção.

A campanha reforça uma mensagem simples: cuidar do coração do seu cachorro começa antes dos sintomas aparecerem. Consultas regulares com o médico-veterinário, exames de rotina e atenção aos sinais de alerta são os pilares de uma vida longa e saudável para os pets.

Se você ainda não levou o seu pet a uma avaliação cardiológica, o Setembro Vermelho é um bom momento para dar esse passo. Converse com o profissional que acompanha o seu bichinho e pergunte sobre a necessidade de exames cardíacos, especialmente se ele tem mais de 7 anos ou pertence a uma raça com predisposição.

Cachorro deitado com corações de pelúcia.

Tenha prevenção e cuidado simplificado com um Plano de Saúde Pet

Alguns tutores adiam a avaliação cardiológica do pet por achar que é complicado ou caro. Mas a realidade é que o check-up preventivo é mais simples do que parece, especialmente com o apoio de um plano de saúde pet.

Com o Plano de Saúde Petlove, você tem acesso a uma rede credenciada de mais de 8.000 clínicas, hospitais veterinários, laboratórios e especialistas em todo o Brasil. Isso significa que exames como ecocardiograma, eletrocardiograma e consultas com cardiologistas veterinários ficam ao alcance do tutor, sem aquela preocupação com um gasto inesperado no fim do mês.

E para quem já tem um cachorro cardiopata, o plano faz ainda mais diferença. Acompanhar a evolução da doença exige consultas periódicas, exames de rotina e ajustes de tratamento. Com o Plano de Saúde Petlove, esse monitoramento contínuo se torna muito mais simples – e o impacto no bolso no final do mês também.

Prevenção ou acompanhamento: nos dois casos, cuidar do coração do seu pet fica bem mais tranquilo tendo o Plano de Saúde Petlove. Escolha a cobertura que mais se encaixa nas necessidades do seu pet e dê a ele o melhor cuidado!

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Perguntas frequentes 

O que é cardiopatia em cães?

Cardiopatia em cães é qualquer doença ou alteração que comprometa o funcionamento do coração do pet, seja nas válvulas, no músculo cardíaco, no ritmo dos batimentos ou na estrutura do órgão. As cardiopatias podem ser congênitas (com as quais o pet nasce) ou adquiridas ao longo da vida.

Quais são os sintomas de cachorro com problema no coração?

Os sinais mais comuns incluem tosse seca persistente, cansaço fácil, respiração ofegante em repouso, língua e gengivas arroxeadas, desmaios, barriga inchada e perda de peso sem causa aparente. Como esses sintomas podem aparecer de forma sutil, é recomendável consultar o médico-veterinário ao menor sinal de alteração.

Cachorro cardiopata ofegante: o que fazer?

Cachorro cardiopata ofegante em repouso é uma emergência veterinária. Mantenha o pet calmo, em ambiente arejado e leve-o imediatamente a uma clínica ou hospital veterinário. Não administre medicamentos sem orientação profissional.

Quais raças têm mais risco de cardiopatia?

Raças de pequeno porte como Poodle, Yorkshire Terrier, Dachshund e Cavalier King Charles Spaniel têm predisposição maior à doença valvar degenerativa. Raças grandes como Dobermann, Boxer, Labrador e Dogue Alemão apresentam maior risco de cardiomiopatia dilatada. Isso não significa que outras raças estejam livres de cardiopatias, pois qualquer cão pode desenvolvê-las.

Com que idade o cachorro deve fazer avaliação cardiológica?

Cães com mais de 7 anos devem realizar avaliação cardiológica anual, mesmo sem apresentar sintomas. Para raças com predisposição genética, o médico-veterinário pode recomendar exames mais cedo. O ecocardiograma é o exame padrão-ouro para essa avaliação.

Cardiopatia em cães tem cura?

A maioria das cardiopatias caninas não tem cura definitiva, mas com tratamento adequado, o cão cardiopata pode ter uma vida longa e de qualidade. O acompanhamento veterinário regular, o uso correto dos medicamentos prescritos e os cuidados com alimentação e rotina fazem toda a diferença no controle da doença.

O Setembro Vermelho vale também para pets?

Sim. O Setembro Vermelho, que na medicina humana conscientiza sobre a saúde do coração, foi incorporado à medicina veterinária para alertar tutores sobre as cardiopatias em cães e gatos. A data, centrada no Dia Mundial do Coração (29 de setembro), é um bom lembrete para agendar a avaliação cardiológica do seu pet.

Por Amanda Fernandes

Sou jornalista, pós-graduanda em Marketing e adoooro falar sobre pets. Sou mãe da gatinha Cristal, do agapornis Alisson e do meu eterno Dachshund (vulgo salsichinha) Scott. Além de pets, curto muito história e uma boa pizza. Desde pequena sou conhecida por amar cães .❤

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