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Humanos mais agressivos tendem a ter pets menos tolerantes

Por Gabriel Arruda -

Se por acaso pretende adotar um pet em um futuro próximo, saiba que você será um exemplo a ser seguido por ele. Sim, assim como as crianças, os peludos também tendem a ter o mesmo comportamento que os pais. Seguir o famoso ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, não é uma boa opção para educar um pet. Para se ter uma ideia, um estudo feito pela revista Plos One revelou que os gatos podem imitar a personalidade dos pais humanos, outro feito por uma universidade sueca mostrou que o estresse dos humanos pode passar para os seus cães

Isso expõe que a maneira como as pessoas se comportam dentro de casa precisa ser considerada quando falamos em educação dos pets. Por outro lado, estudos feitos há mais de uma década demonstram que humanos mais agressivos tendem a ter pets menos tolerantes.

Por mais que saibamos que o modo como as pessoas criam os cães influencia diretamente no comportamento, ainda existem pessoas que enxergam algumas raças como de alto risco – o que na maioria das vezes é equivocado. 

Humanos mais agressivos tendem a ter pets menos tolerantes

A pesquisadora Jaclyn Barnes analisou dados da Justiça do condado de Hamilton, em Ohio, nos Estados Unidos, e descobriu que tutores de cães considerados de alto risco eram quase sete vezes mais propensos a serem condenados por um crime agressivo, além de 2,8 vezes mais predispostos a ter cometido um crime envolvendo crianças, 2,4 vezes mais possibilidades de terem cometidos crimes domésticos e 5,4 vezes mais chances de ter uma condenação relacionada ao consumo de álcool quando relacionados aos tutores de cães de baixo risco.

Um outro estudo feito por pesquisadores da Universidade da Virgínia Ocidental, também nos EUA, parece atestar a pesquisa feita por Jaclyn Barnes. Nele, foi relatado que os tutores de raças com alto risco tiveram uma chance maior de admitir atitudes violentas em comparação a pessoas com pets de baixo risco ou que não tinham animais de estimação.

Poderíamos, ainda, fazer um paralelo de que pessoas mais agressivas tendem a ter preferência por raças que pareçam ser mais robustas e ameaçadoras, o que poderia justificar essa correlação vista nos estudos citados. 

Humanos mais agressivos tendem a ter pets menos tolerantes

Por que amamos os cães que amamos?

Stanley Coren, professor de psicologia na Universidade da Colúmbia Britânica e autor de livros famosíssimos como A Inteligência dos Cães, lançou, em 1996, uma obra chamada Porque amamos os cães que amamos. Nela, o professor conduziu um estudo com mais de 6.000 pessoas, no intuito de expor que a personalidade de uma pessoa antevia a raça de cão que ela provavelmente adotaria. Isso fez com que outras inúmeras pesquisas relacionadas ao tema – como essas – fossem feitas dali por diante.

Mas, afinal, o que isso quer dizer?

Ambas as pesquisas condizem que os cães não devem ser tratados de maneira agressiva, muito menos serem agredidos ou maltratados. Para educar um cachorro corretamente, é preciso ter ciência de que as punições severas não fazem parte do protocolo, pois qualquer experiência negativa trará resultados negativos.

Apesar dos estudos mencionados acima, vale destacar – novamente – que nem todas as “raças de alto risco” para agressão são realmente perigosas, muito menos afirmar que todos os tutores dessas linhagens possuem comportamentos agressivos. Estes servem para expor que pessoas mais ofensivas tendem a adotar raças com maior facilidade em serem ensinadas a agir com agressão.

Ainda assim, uma dúvida fica no ar: da mesma forma que o estresse dos humanos pode ser passado para os cães, de acordo com a pesquisa citada no início da matéria, a agressividade dos tutores pode ser transmitida e até agravar a intolerância nos cães que são considerados de alto risco? Fica uma dica para novos estudos!

Por Gabriel Arruda

É Jornalista, apaixonado por pets, música e futebol. Está sempre em busca de novos desafios, justamente pela curiosidade que o toma conta. Pai de um Beagle chamado Johnny, mais conhecido como "O Destruidor".

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