Dermatite Psicogênica em Cães e Gatos

Dermatite psicogênica ou dermatite por lambedura é uma síndrome de automutilação. Essa enfermidade acomete cães e gatos e é considerada uma das dermatopatias mais desafiantes para o médico veterinário. A enfermidade é caracterizada pela presença de lesões na pele autoinduzidas pelo ato constante e persistente de lambedura. Essa patologia não é causada por doenças orgânicas, mas por distúrbios comportamentais, por esse motivo seu diagnóstico e tratamento são desafios para o médico veterinário.

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”O distúrbio é comumente mais observado em cães com raça definida e de grande porte como Doberman, Pastor Alemão, Dinamarquês, Boxer, Labrador e Setter.”

Acredita-se que o papel dos fatores emocionais nas doenças da pele seja tão significativo que, quando ignorado, o tratamento eficaz de pelo menos 40% dos pacientes que chegam ao serviço de dermatologia seja impossível.

Na medicina humana, os distúrbios de caráter psiquiátrico sempre tiveram importância; recentemente, alguns experimentos têm sido feitos com o uso de medicamentos em distúrbios comportamentais em medicina veterinária. Nos dias de hoje, há várias hipóteses sobre a causa desse distúrbio, porém, deve ser encarado como semelhante ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC) em humanos.

A dermatite por lambedura acomete cães e gatos de qualquer idade. O distúrbio é comumente mais observado em cães com raça definida e de grande porte como Doberman, Pastor Alemão, Dinamarquês, Boxer, Labrador e Setter.

Uma possível explicação para o aparecimento da dermatite psicogênica está na rotina dos donos, que faz com que os animais fiquem sozinhos por um longo período, recebendo cada vez menos atenção. Como fatores desencadeantes, podemos citar a modificação da rotina, bem como a modificação para ambiente desconhecido, introdução de crianças na casa, confinamento em pequenas áreas, proprietários violentos, entre outros. Tais alterações desencadeiam um quadro de estresse emocional que pode ser aliviado pelo ato de lamber parte do corpo propiciando a instalação da doença e o aparecimento das lesões.

A patologia acontece, pois o constante ato de lamber produz erosão em determinada área sobre a pele e um espessamento indolor, que provoca um prurido (“coceira”) agudo. Sendo assim, é estabelecido um ciclo entre prurido e lambedura que resulta em ulceração e exposição das camadas mais profundas como nervos sensoriais e estruturas.

A lesão da dermatite psicogênica é caracterizada por uma placa granulomatosa úmida, firme, espessada, oval, eritematosa e alopécica, acompanhada de uma borda epitelial indolente. Frequentemente, as lesões são observadas em áreas do corpo, as quais podem ser lambidas com facilidade e conforto.

O diagnóstico desse tipo de dermatopatia é complexo. Além dos sinais clínicos e lesões evidenciadas, o médico veterinário depende de informações passadas pelos proprietários. É estabelecido através da exclusão de outras etiologias, ou seja, das causas orgânicas, associadas com sintomatologia e exames complementares (exames radiográficos, exame histopatológico, entre outros).

Essa doença pode ser confundida com foliculite profunda, hipersensibilidade e anormalidades esqueléticas subjacentes, granuloma de corpo estranho, dermatite neurotrópica, neoplasia granuloma dos pontos de pressão, furunculose bacteriana, dermatofitose, sarna demodécica, atopia, entre outras.

O tratamento dessa enfermidade envolve vários fatores. Os fatores principais são a correção do fator desencadeante e o trabalho psicológico junto ao proprietário, sendo este fundamental para o sucesso do tratamento.

A terapia inclui mudança no manejo ambiental e comportamental, terapia medicamentosa, com o uso de sedativos, tranquilizantes, antidepressivos, corticosteroides tópicos; além da terapia não medicamentosa como a radioterapia, acupuntura, criocirurgia, terapia comportamental, entre outros.

Sobre o autor

Bruno Oliveira

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