Cachorro e gato podem pegar gripe de humano?
Entenda por que os vírus respiratórios humanos não infectam pets, quais gripes realmente afetam cães e gatos e como manter seu bichinho protegido durante o inverno.
Quando chega a temporada de gripe, alguns tutores podem ficar em dúvida se cachorro e gato podem pegar gripe de humano, principalmente quando alguém em casa está espirrando e o pet fica colado na cama. A preocupação é natural.
Já te adiantamos que não, seu pet não se infectará com a sua influenza. Mas calma, pois ainda assim, existem gripes caninas e felinas, e o tutor deve saber sobre elas para proteger o bichinho!

Cachorro e gato pegam influenza? As diferenças entre a gripe humana e a gripe dos pets
Não, cães e gatos não se infectam com a nossa gripe. E isso tem uma explicação: os vírus responsáveis pela gripe humana possuem o que chamamos de tropismo específico: eles se replicam em células humanas e não conseguem infectar os pets em condições normais. Na prática, isso significa que estar gripado não coloca seu bichinho em risco de contágio direto.
Há registros científicos esporádicos de infecções cruzadas entre espécies, mas esses casos envolvem mutações muito específicas do vírus, sendo considerados raros e atípicos pela comunidade médico-veterinária. No dia a dia, a transmissão da gripe sazonal humana para pets é extremamente improvável.
Dito isso, cães e gatos têm vírus e bactérias próprios capazes de causar infecções respiratórias com sintomas muito parecidos com os da gripe humana. Ou seja, eles não pegam o vírus de você, mas podem contrair de outros bichinhos da mesma espécie, em passeios, creches, canis, pet shops e hospedagens.
Gripe canina: o que é e como se transmite
Cachorros não podem pegar gripe de humanos, mas podem se infectar com a gripe de outros cães, a chamada gripe canina.
A gripe canina, também chamada de influenza canina, é uma doença respiratória infecciosa causada pelos vírus H3N8 e H3N2, ambos pertencentes ao grupo Influenza A. Diferente da gripe humana, a influenza canina não é sazonal: ela circula o ano todo, e a maioria dos cães ainda não desenvolveu imunidade natural a essas cepas.
Existe ainda a tosse dos canis (traqueobronquite infecciosa canina), que muita gente confunde com a gripe canina. Enquanto a influenza canina é causada especificamente pelos vírus H3N8 e H3N2, a tosse dos canis resulta de uma combinação de agentes: o Adenovírus Tipo 2 (CAV-2), a Bordetella bronchiseptica e o vírus Parainfluenza canina (CPIV). As duas condições causam sintomas respiratórios, mas têm origens distintas.
A transmissão entre cães acontece de formas variadas:
- Contato direto com outro cão infectado, incluindo farejar e lamber;
- Gotículas suspensas no ar durante tosse, espirros ou até latidos;
- Superfícies contaminadas, como tigelas, brinquedos, coleiras e roupas humanas.
Segundo dados da Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA), o vírus da influenza canina pode sobreviver até dois dias em superfícies, 12 horas nas mãos e até 24 horas em tecidos. Por isso, ambientes com muitos cães circulando, como creches e canis, são os maiores focos de contágio.
Cabe destacar que cachorros braquicefálicos (de focinho achatado), como Pug, Bulldog Francês, Lhasa Apso e Shih Tzu, merecem atenção redobrada, pois são naturalmente mais suscetíveis a complicações respiratórias.
Sintomas de gripe em cães
Os sinais da gripe canina são bastante parecidos com os da gripe humana. Se o seu cachorro apresentar os itens abaixo, é hora de o levar ao médico-veterinário:
- Tosse seca ou com catarro;
- Espirros frequentes;
- Febre;
- Secreção nasal e/ou ocular;
- Diminuição do apetite;
- Letargia (cansaço fora do comum, apatia);
- Intolerância ao exercício;
- Dificuldade na respiração em casos mais graves.
De acordo com dados da AVMA, cerca de 80% dos cães expostos ao vírus da influenza canina desenvolvem algum grau de sintoma. A maioria evolui de forma leve, mas até 20% pode ter complicações moderadas a graves, incluindo pneumonia. Em filhotes, idosos e cães imunodeprimidos, o quadro pode se tornar mais delicado com maior facilidade.
Se o seu pet apresentar dificuldade respiratória ou perder totalmente o apetite, não espere: esses sinais pedem avaliação imediata com um médico-veterinário.

Entenda o que é a gripe felina
Os gatos têm uma condição própria chamada complexo respiratório felino (também conhecida como gripe felina), que pode ser causada por diferentes agentes. Os principais são o vírus da Rinotraqueíte Viral Felina (herpesvírus felino FHV-1), o Calicivírus Felino e a bactéria Chlamydophila felis.
Assim como nos cães, os gatos não podem pegar gripe de humanos, mas podem transmitir entre si com muita facilidade.
A contaminação acontece por contato direto com secreções de gatos infectados ou por meio de objetos compartilhados contaminados, como comedouros, bebedouros e brinquedos. Os sintomas incluem espirros, secreção nasal e ocular, febre, perda de apetite e letargia.
Vale destacar um ponto relevante: gatos que foram infectados pelo herpesvírus felino (rinotraqueíte) podem se tornar portadores do vírus ao longo da vida, ou seja, mesmo após a cura clínica, podem continuar disseminando a doença para outros felinos, especialmente em momentos de estresse ou queda de imunidade.
Em filhotes e bichanos imunodeprimidos, o complexo respiratório felino pode evoluir para um quadro crônico e de difícil tratamento. Por isso, os cuidados com o gato no inverno pedem atenção especial nessa época do ano.
O que fazer quando o pet está gripado
Tanto na gripe canina quanto no complexo respiratório felino, o tratamento é principalmente de suporte. Na prática, isso significa garantir repouso, hidratação e alimentação adequada para que o bichinho se recupere bem. Alguns cuidados que ajudam no dia a dia:
- Ofereça a ração levemente aquecida, para estimular o olfato e o apetite;
- Use um umidificador no ambiente em que o pet dorme, para facilitar a respiração;
- Garanta água fresca sempre disponível;
- Evite exercícios intensos durante a recuperação;
- Higienize brinquedos, cobertores e acessórios regularmente;
- Isole o pet doente de outros animais para evitar a transmissão.
Agora, algo muito importante: nunca ofereça remédios humanos ao seu pet. Medicamentos como ibuprofeno, paracetamol e antigripais comuns são tóxicos para cães e gatos, mesmo em pequenas doses. Qualquer medicação precisa ser prescrita por um médico-veterinário.
Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de antibióticos para infecções bacterianas secundárias, nebulização, fisioterapia respiratória ou até internação. Ao notar sintomas persistentes ou que se intensificam, leve seu bichinho ao médico-veterinário.
Como prevenir a gripe no seu pet
A prevenção começa com atitudes simples e consistentes ao longo do ano, mas a vacinação é, sem dúvida, o pilar mais importante. Confira o que fazer para manter o seu cão e gato protegidos.
Vacina contra a gripe canina
A vacina de gripe para cachorro é uma das formas mais eficazes de reduzir a gravidade da doença e diminuir a disseminação do vírus. No Brasil, estão disponíveis versões injetáveis e intranasais, sendo esta última aplicada diretamente nas vias nasais para fortalecer a defesa local do pet contra infecções respiratórias.
Vale reforçar que a vacina contra gripe canina funciona de forma parecida com a vacina humana: mesmo que o pet contraia um vírus diferente, os sintomas tendem a ser mais leves e o tratamento, mais eficiente.
Além da vacina de gripe, as vacinas essenciais para cães, como a V8 ou V10 (que já protege contra Parainfluenza e Adenovírus tipo 2, agentes relacionados à tosse dos canis) e a vacina antirrábica, devem fazer parte do calendário anual de todo cachorro.
Vacina para gatos
Para os gatos, as vacinas, como a V4 ou V5 (que incluem proteção contra Rinotraqueíte, Calicivírus e Clamídia), são a principal defesa contra o complexo respiratório felino. A aplicação começa na fase de filhote e segue com reforço anual.
Lembrando que se o seu pet estiver com sintomas de gripe, não é indicado vaciná-lo nesse momento. Nesses casos, é preciso conversar com um médico-veterinário para realizar o tratamento e definir uma nova data para a vacinação.
Outras medidas preventivas
Além da vacinação, algumas atitudes do dia a dia fazem diferença real na proteção do pet:
- Evite o contato do pet doente com outros animais;
- Lave regularmente tigelas de comida e água, brinquedos e acessórios;
- Mantenha o ambiente ventilado e higienizado;
- Certifique-se de que filhotes estejam totalmente vacinados antes de frequentar parques, canis ou pet shops;
- Ofereça uma alimentação de qualidade, pois uma boa nutrição fortalece o sistema imunológico do pet e o torna mais resistente a infecções.

Cães e gatos podem passar gripe para humanos?
Não, cachorro e gato não passam gripe para humanos.
Assim como os vírus humanos não infectam cães e gatos, os vírus respiratórios dos pets também não infectam humanos. A gripe canina e o complexo respiratório felino ficam restritos às suas respectivas espécies.
Com as vacinas em dia, é muito mais fácil proteger o seu pet contra a gripe!
Seu pet não precisa ficar à mercê das gripes, pois, como vimos, manter a vacinação em dia é a forma mais efetiva de ter a saúde de cães e gatos forte para combater os vírus.
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Perguntas Frequentes
Cachorro e gato podem pegar gripe de humano?
Não. Os vírus da gripe humana se replicam em células humanas e não infectam cães e gatos em condições normais. A transmissão direta é extremamente rara e restrita a mutações virais muito específicas. O que seu pet pode ter são doenças respiratórias próprias da espécie, como a influenza canina, tosse dos canis e o complexo respiratório felino.
Gato pode passar gripe para humano?
Não. O vírus do complexo respiratório felino não é transmissível para humanos. A exceção relevante entre as doenças de pets que podem afetar humanos é a raiva, prevenível com vacinação anual obrigatória.
Como saber se meu cachorro está com gripe canina?
Os principais sinais são tosse (seca ou com catarro), espirros, febre, secreção nasal e ocular, cansaço fora do normal, intolerância ao exercício e perda de apetite. Ao notar esses sintomas, consulte um médico-veterinário para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.
Meu gato está espirrando muito, pode ser gripe felina?
Espirros frequentes, acompanhados de secreção nasal e ocular, febre e apatia são os principais sinais do complexo respiratório felino. No entanto, esses mesmos sintomas podem indicar outras condições, por isso uma avaliação médico-veterinária é fundamental antes de qualquer conclusão.
Quais vacinas protegem cães de doenças respiratórias?
A vacina específica contra a gripe canina protege contra as cepas H3N8 e H3N2. Já as vacinas polivalentes V8 e V10 incluem proteção contra Parainfluenza e Adenovírus tipo 2, agentes da tosse dos canis. O médico-veterinário é quem indica o protocolo mais adequado para cada cão.
Posso dar remédio de gripe humana para meu pet?
Jamais. Medicamentos formulados para humanos, como anti-inflamatórios, antigripais e analgésicos, são tóxicos para cães e gatos e podem causar danos sérios ao fígado, rins e estômago. Qualquer medicação precisa ser prescrita por um médico-veterinário.
Quanto tempo dura a gripe canina?
A maioria dos casos se resolve em duas a três semanas com cuidados de suporte. Médicos-veterinários costumam recomendar isolamento de pelo menos quatro semanas para garantir a recuperação completa e evitar o contágio de outros cães.
Cachorro doente pode passear?
Passeios curtos e tranquilos são tolerados, mas exercícios intensos devem ser evitados durante a recuperação, pois sobrecarregam o sistema respiratório. O mais importante é evitar o contato com outros cães para não transmitir a doença.




