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Coelho

O coelho doméstico (Oryctolagus cuniculus) que conhecemos hoje em dia tem origem nos coelhos selvagens da Europa. Sua domesticação teve como objetivo inicial o fornecimento de carne, pele e lã, porém ao longo dos últimos séculos os coelhos também passaram a ser criados como animais de laboratório e estimação e sua popularidade cresceu de tal modo que em muitos países, atualmente, são considerados um dos animais de companhia (pets) mais populares. Com a domesticação, houve o desenvolvimento de diferentes raças e variedades de coelhos devido à combinação de características de duas ou mais raças por cruzamento natural ou seletivo (quando uma particularidade específica almejada é selecionada por meio de cruzamentos pré-determinados). Geralmente, coelhos pequenos e anões são os mais procurados como pets, principalmente nos grandes centros, devido ao seu tamanho compacto e sua graciosidade. Porém, raças de médio e grande porte (gigantes) cuja criação é voltada sobretudo para carne ou pelo também podem ser ótimos companheiros.
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Pelagem
Há diversos tipos de pelagem, com diferentes cores e padrões. Podemos citar como variedades: branco, preto, vermelho, creme, cinza, albino, chocolate, chinchila, prateado, broken, aguti, himalaia, harlequim hotot, tan, entre outras. O comprimento do pelo pode ser curto, médio, semi-longo e longo.
Os coelhos quando estão saudáveis apresentam-se alertas ao ambiente ao seu redor, tendem a ser ativos e curiosos, com seu nariz movimentando-se constantemente. Mas é importante salientar que por se tratarem de presas na natureza, é comum “esconderem” os sintomas quando estão doentes como uma forma de proteção. Portanto, qualquer alteração de comportamento, mudança na rotina normal, diminuição no consumo de alimento, perda de brilho dos pelos ou aparecimento de algum outro sintoma, o atendimento médico especializado é recomendado o quanto antes. No geral, os coelhos devem ser levados ao(à) veterinário(a) especialista em pets não convencionais pelo menos uma ou duas vezes ao ano para assegurar que estão saudáveis e que o manejo realizado pelo(a) responsável é o adequado. Por se tratarem de animais que apresentam o esqueleto muito frágil e uma musculatura muito vigorosa, deve-se tomar muito cuidado ao segurá-los, pois quando contidos de forma errada ao se assustarem podem fraturar a coluna ou outro osso devido à grande força de seus membros posteriores. Diferentemente dos cães, os coelhos não respiram pela boca em situações normais e quando o fazem provavelmente apresentam alguma patologia respiratória e devem ser encaminhados a um(a) médico(a) veterinário(a) especializado. Dentre as doenças do trato respiratório mais comuns podemos citar a rinite e a sinusite causadas principalmente por agentes irritantes como fumaça, pó, sujeira, produtos de limpeza, vapores da serragem, altos níveis de amônia nas caixinhas higiênicas/ gaiolas, cigarro ou infecciosos..
No geral, os coelhos são bastante amigáveis e dóceis e podem criar um forte laço afetivo com seus humanos. Mas é importante estar ciente de que o temperamento pode variar de acordo com a raça e com o temperamento individual de cada pet. Como são bastante territorialistas, machos adultos não castrados podem ser agressivos quando pessoas ou outros animais se aproximarem de sua gaiola (seu território).
Os coelhos são animais bastante inteligentes e relativamente fáceis de serem treinados, mas comparações com cães devem ser evitadas por serem espécies totalmente diferentes.
Coelhos podem viver de seis a 13 anos, embora hajam relatos de coelhos com idade superior (dependendo bastante da forma como são criados).
Quando se adquire um coelho, é importante adaptar o ambiente para atender suas necessidades, seja dentro ou fora de casa. O ideal é que o pet tenha espaço suficiente para pular, brincar e explorar, além de um local que sirva de refúgio (ex.: toca, gaiola), alimento e água à vontade, caixa higiênica (liteiras) e brinquedos. Dentro de casa, seu ambiente pode ser limitado por um cercado, mas caso o pet possa circular livremente, o indicado é que seja sob supervisão, uma vez que podem causar danos aos móveis e objetos, além de roer instalações elétricas, podendo sofrer graves acidentes. Em ambiente externo, também pode-se optar por um cercado para limitar a área, tomando cuidado com possíveis predadores e fornecendo um local para refúgio do sol e calor. O(a) tutor(a) deve estar ciente de que alguns buracos e tocas podem ser encontrados caso o ambiente externo seja um gramado ou jardim, e tomar cuidado para que não façam túneis subterrâneos por onde possam fugir. O pet deve ser mantido em um ambiente bem ventilado, mas longe de correntes de ar e de locais com temperatura muito elevada. O coelho é muito sensível às mudanças bruscas de temperatura e ao calor. Como seus mecanismos de termorregulação não são tão eficientes, a temperatura torna-se prejudicial quando ultrapassa a zona de conforto de 16 a 24°C, e temperaturas acima de 28°C são consideradas nocivas e podem levar o pet a óbito. Portanto, não deve ser exposto ao calor extremo e, quando necessária, a mudança de temperatura deve ser de forma gradual evitando, assim, o estresse térmico. O coelho é um animal estritamente herbívoro e sua alimentação deve ser composta por 80% de feno e verduras, e 20% ração e petiscos específicos para a espécie. O feno deve ser de boa qualidade e estar sempre disponível, pois seu fornecimento é fundamental para o bom funcionamento do trato gastrointestinal e desgaste dentário. Recomenda-se evitar o feno de alfafa devido à grande quantidade de cálcio em sua constituição. As verduras podem ser fornecidas diariamente, optando-se pelas verduras verde-escuras como rúcula, salsinha, cebolinha, chicória, entre outras. Deve-se evitar fornecer alface, repolho, pepino ou acelga, pois são muito ricos em água e podem predispor à ocorrência de cólica e diarreia. A ração específica para coelhos deve ser fornecida em pequenas quantidades uma ou duas vezes ao dia. Os petiscos, como frutas e legumes, devem ser oferecidos no máximo duas vezes por semana e em pequenas quantidades, pois em grandes porções podem causar alterações gastrointestinais. A maçã é uma fruta bastante apreciada pelos coelhos e um pedacinho pode ser fornecido de vez em quando. A água deve ser de qualidade, fresca, e estar sempre à disposição. O bebedouro pode ser o mesmo de cães e gatos ou do tipo mamadeira, posicionado na altura adequada. O coelho consome grande volume de água diariamente, variando de 50 a 150 ml/Kg por quilo do pet. Além dos cuidados básicos mencionados acima, o ideal é levar seu pet para uma consulta de orientação com um(a) médico(a) veterinário(a) especializado em pets não convencionais para obter mais informações de como criar adequadamente um coelho.
Os coelhos pertencem à ordem Lagomorpha e não devem ser tratados como roedores. Diferentemente destes, os coelhos, por exemplo, têm dois pares de dentes incisivos superiores, onde o segundo par situa-se logo atrás do primeiro e é considerado rudimentar. Além disso, são animais com crescimento contínuo de todos os dentes, por esse motivo é fundamental o desgaste diário por meio de alimentação adequada. São animais bastante territorialistas e demarcam seu território com as glândulas odoríferas localizadas embaixo do queixo (submentonianas) e nas pregas cutâneas adjacentes ao órgão genital e ao ânus. Machos não castrados também marcam o território com jatos de urina. Os coelhos realizam a cecotrofagia, mecanismo fisiológico no qual há ingestão de cecotrofos diretamente do ânus. Os cecotrofos correspondem ao conteúdo fermentado no ceco (porção do intestino), rico em proteínas e vitaminas e envolvido por muco, assemelhando-se a cachos de uva. Sua ingestão é essencial para a absorção de todos os nutrientes necessários e não deve ser confundida com coprofagia (ingestão de fezes). Apesar de existirem vacinas específicas para coelhos no mercado, no Brasil elas ainda não estão disponíveis. A criação de coelhos é legalizada no Brasil, sendo possível encontrar criadores em diversas regiões do país, principalmente próximo aos grandes centros urbanos.